Eni e TEHA Group apontam biocombustíveis como chave para descarbonização do transporte europeu
Estudo da Eni e TEHA Group, apresentado a formuladores de políticas europeus, destaca biocombustíveis como HVO e SAF como soluções 'drop-in' para descarbonizar o transporte, fortalecer a segurança energética e a competitividade industrial do bloco. A análise busca influenciar a agenda regulatória da UE, enfatizando a compatibilidade com a infraestrutura existente e o potencial de geração de valor.
A Eni e o TEHA Group apresentaram um estudo estratégico a formuladores de políticas europeus, destacando os biocombustíveis sustentáveis como uma alavanca imediata para descarbonizar o transporte, reforçar a segurança energética e manter a competitividade industrial do continente. O documento, divulgado em 5 de setembro de 2026, propõe o Óleo Vegetal Hidrogenado (HVO) e o Combustível Sustentável de Aviação (SAF) como soluções já disponíveis e compatíveis com a infraestrutura atual.
O estudo destaca a capacidade dos biocombustíveis de serem 'drop-in', ou seja, compatíveis com motores e infraestruturas existentes. Mais de 170 milhões de veículos a diesel Euro 5/6 na Europa podem usar HVO puro, enquanto o SAF pode ser misturado em até 50% com querosene convencional sem exigir modificações. Essa característica é crucial para o cumprimento das metas impostas por regulamentos europeus como o RefuelEU Aviation e o FuelEU Maritime, que estabelecem a incorporação de biocombustíveis a partir de 2025, e a Diretiva de Energias Renováveis (RED III), que exige 29% de renováveis no transporte até 2030.
No âmbito econômico, o estudo estima que investimentos privados em biocombustíveis na Europa poderiam gerar até €66 bilhões em Produto Interno Bruto (PIB) e sustentar mais de 33.000 empregos. A proposta ganha relevância diante da perda de 21% da capacidade de refino europeia desde 2009, que aumentou a dependência de importações de diesel e combustível de aviação. Empresas como a Eni já respondem a essa demanda, tendo convertido refinarias em biorrefinarias, como Porto Marghera (2014) e Gela (2019), e com planos para Livorno até 2026, focando na produção de HVO diesel, HVO nafta e bio-GPL.
A análise do estudo sugere uma tensão entre a abordagem predominantemente regulatória da Europa e a necessidade de uma visão mais pragmática e industrial para a descarbonização. Ao defender a neutralidade tecnológica, o documento busca influenciar os formuladores de políticas a valorizar soluções já disponíveis e a considerar os riscos geopolíticos e de segurança energética, argumentando que a não integração plena das capacidades industriais existentes pode comprometer a velocidade e a competitividade da transição energética do bloco.
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