Ibama concede licença para LT Graça Aranha–Silvânia, estratégica para renováveis
O Ibama emitiu a Licença de Instalação (LI) para a Linha de Transmissão 800 kV Graça Aranha–Silvânia, um projeto de R$ 18 bilhões que conectará o Maranhão a Goiás. A decisão destrava a construção de uma infraestrutura crucial para escoar a crescente geração renovável do Norte e Nordeste, impactando a segurança energética nacional.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu a Licença de Instalação (LI) para a construção da Linha de Transmissão 800 kV Graça Aranha–Silvânia, um projeto de ultra-alta tensão em corrente contínua (±800 kV) considerado estratégico para o sistema elétrico nacional. A decisão, emitida em junho de 2026, autoriza o início imediato das obras de implantação da infraestrutura, que visa ampliar o escoamento de energia renovável do Norte e Nordeste para os grandes centros de consumo do país.
Com uma extensão de aproximadamente 1.500 a 1.600 quilômetros, a linha ligará a Subestação Graça Aranha, no Maranhão, à Subestação Silvânia, em Goiás, atravessando também o Tocantins e potencialmente Minas Gerais. O empreendimento, sob responsabilidade da empresa chinesa State Grid, representa um investimento estimado de R$ 18 bilhões, um dos maiores em infraestrutura de transmissão no Brasil, e prevê a geração de 6 mil empregos diretos durante sua fase de construção.
A nova LT é vista como um alívio para geradores de energia renovável nas regiões Norte e Nordeste, que podem se beneficiar da maior capacidade de escoamento e mitigar os impactos do “sinal locacional” nas tarifas de transmissão, implementado em 2023. Enquanto essa política reduziu a conta de luz em 18 estados, gerou críticas por elevar os custos para os produtores locais. Consumidores dos centros de carga terão maior segurança energética e potencial acesso a energia mais barata, em um cenário onde a capacidade instalada de geração eólica e solar já representa, respectivamente, aproximadamente 15,5% e 22,5% da matriz elétrica nacional, segundo dados da ANEEL e ONS para julho de 2026.
A expectativa é que a operação comercial do Bipolo seja antecipada para março de 2028, um cronograma ambicioso dado o prazo de execução total das obras de 72 meses (seis anos). O cumprimento dessa meta dependerá da eficiência da State Grid na gestão da construção e do atendimento rigoroso às condicionantes ambientais impostas pelo Ibama, que são cruciais para a sustentabilidade do projeto e para evitar atrasos que possam impactar o planejamento energético e os custos do empreendimento.
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