Preços de petróleo e gás sobem acentuadamente no 2T26, aponta ERSE
A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) de Portugal confirmou uma recuperação acentuada nos preços de petróleo, gás e carvão no segundo trimestre de 2026, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio. O cenário já se reflete em propostas de aumento de tarifas de gás e eletricidade no país, elevando a incerteza sobre os custos energéticos.
A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) de Portugal confirmou uma recuperação acentuada nos preços das principais commodities energéticas — petróleo Brent, gás natural (TTF e GNL no Japão) e carvão — no segundo trimestre de 2026. O movimento foi impulsionado pelo agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente, incluindo o fechamento do Estreito de Ormuz em março, que elevou o prêmio de risco no mercado internacional, segundo o regulador português.
A escalada de custos já se reflete no mercado português. A ERSE propôs um aumento médio de 6,3% nas tarifas de gás natural para o período de 1º de outubro de 2026 a 30 de setembro de 2027, com impacto direto nos consumidores. No mesmo período, o preço médio da eletricidade no mercado grossista português subiu 33%, atingindo 55,6 EUR/MWh, contra 41,9 EUR/MWh no trimestre anterior, evidenciando a interconexão dos mercados.
Essa volatilidade se insere em uma tendência de alta observada, com o petróleo Brent superando US$ 91 em julho de 2026, em meio à intensificação das hostilidades na região. A ERSE, em estudo recente, concluiu não haver fundamentos para fixar margens máximas na comercialização de combustíveis rodoviários em Portugal, atribuindo os preços finais elevados às cotações internacionais dos produtos refinados e à carga fiscal. O regulador ressalta, contudo, a alta incerteza sobre a evolução futura dos preços do gás natural, condicionada pela duração do conflito e pela reabertura do Estreito de Ormuz.
Para o Brasil, o cenário em Portugal serve como termômetro para a pressão de custos em mercados importadores. A elevação do Brent, que hoje está em US$ 87,04, e as disrupções no fornecimento de GNL, que já causaram perdas de quase 20% na oferta global, conforme a IEA, pressionam a paridade de importação de combustíveis e gás natural. Isso pode significar maior custo de importação de GNL para termelétricas e pressão sobre a política de preços da Petrobras, impactando a inflação e as tarifas de energia no país.
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