Relatório da NRDC projeta que políticas de Trump dobrarão emissões dos EUA até 2035
Um relatório do Natural Resources Defense Council (NRDC) projeta que as políticas energéticas do ex-presidente Donald Trump podem dobrar as emissões de carbono do setor elétrico dos EUA até 2035 e causar perdas de US$ 700 bilhões em investimentos em energia limpa. O estudo aponta que as medidas revertem a descarbonização e elevam custos para consumidores.
As políticas energéticas do ex-presidente Donald Trump podem levar a um aumento de mais de 100% nas emissões de dióxido de carbono do setor elétrico dos Estados Unidos até 2035, revertendo a trajetória de descarbonização do país e causando uma perda de US$ 700 bilhões em investimentos em energia limpa. A projeção é de um relatório divulgado pelo Natural Resources Defense Council (NRDC).
O estudo do NRDC detalha que as ações do governo Trump, algumas já em vigor, incluem a eliminação de créditos fiscais para energia limpa, via a "One Big Beautiful Bill Act" aprovada em julho de 2025. Há também um esforço para forçar concessionárias a manter usinas de combustíveis fósseis antigas em operação e incentivar a reativação ou construção de novas usinas a carvão, além da revogação da "descoberta de perigo" da EPA de 2009. A administração também tem atrasado licenças federais para energia eólica e cancelado arrendamentos eólicos offshore, o que, segundo o relatório, custou US$ 4 bilhões em fundos de contribuintes e impediu o abastecimento de 9,3 milhões de residências.
Com essas medidas, as emissões de dióxido de carbono do setor elétrico dos EUA são estimadas em mais de 1 bilhão de toneladas métricas até 2035, contra pouco mais de 500 milhões de toneladas métricas em um cenário sem essas políticas. Além da perda de investimentos, o país pode deixar de adicionar entre 390 e 540 gigawatts (GW) de nova capacidade de energia eólica, solar e de armazenamento até 2035, o que representa 40% da nova capacidade esperada antes da implementação dessas políticas.
Os consumidores norte-americanos também sentirão o impacto direto, com projeções de pagar até US$ 30 bilhões a mais por ano em eletricidade até 2035, e contas residenciais podendo aumentar em até 25% em algumas regiões – um aumento de 16% já foi registrado até maio de 2026. A saúde pública é outro ponto crítico, com estimativas de até 69.000 mortes prematuras adicionais e 85.000 atendimentos de emergência na próxima década. Essa abordagem contrasta com a tendência global, onde a Agência Internacional de Energia (IEA) projeta um crescimento de quase 4.600 GW na capacidade renovável mundial entre 2025 e 2030.
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