IEA aponta queda de investimento em minerais críticos e risco à transição energética
O relatório Global Critical Minerals Outlook 2026 da IEA destaca uma recuperação nos preços de minerais críticos como cobre e lítio, mas revela uma queda de 9% no investimento global em 2025. Esse descompasso entre demanda crescente e financiamento de novos projetos eleva os riscos de segurança de suprimento e a volatilidade de custos para tecnologias renováveis.
A Agência Internacional de Energia (IEA) aponta uma desconexão preocupante entre a demanda por minerais críticos e o investimento em sua produção. O relatório Global Critical Minerals Outlook 2026 da agência destaca uma queda de 9% no investimento global em 2025, interrompendo um período de crescimento. Essa retração ocorre mesmo com a recuperação dos preços em 2025 e início de 2026, quando o cobre atingiu recordes e o lítio mais que dobrou, sinalizando um gargalo potencial para a segurança do suprimento da transição energética global.
O relatório da IEA também sublinha a crescente concentração geográfica no refino desses materiais, com a China e a Indonésia respondendo por mais de 75% do crescimento da oferta nos últimos dois anos. A China, por exemplo, processa entre 60% e 90% do lítio, cobalto e terras raras. As restrições de exportação chinesas, como as de terras raras em 2025, já forçaram cortes de produção em montadoras, evidenciando a realidade de interrupções no fornecimento. Diante deste cenário, a IEA propõe que governos criem ou expandam reservas estratégicas, estimando um custo inicial de US$ 9,2 bilhões para 11 grupos de materiais de alto risco.
Para a América Latina, incluindo o Brasil, o relatório projeta um benefício econômico de aproximadamente US$ 220 bilhões até 2035 com a expansão do processamento e atividades downstream. A região é estratégica, fornecendo cerca de 40% da produção global de cobre e mais de 90% do nióbio mundial (com o Brasil sendo o principal produtor). Contudo, refina apenas 20% dos minerais energéticos extraídos localmente. No Brasil, o Ministério de Minas e Energia (MME) atua para ampliar o conhecimento geológico e a produção de minerais estratégicos, conforme detalhado no “Minerais Críticos do Brasil: Guia para Investidores Estrangeiros 2026”, buscando agregar valor internamente sem adotar restrições à exportação.
A volatilidade nos preços dos minerais críticos e o aumento dos custos de insumos como o ácido sulfúrico — que já superou os custos de energia em algumas operações de produção mineral — tendem a pressionar os custos de capital para projetos de energia solar, eólica e, especialmente, de armazenamento de baterias (BESS). Essa dinâmica pode impactar a competitividade em leilões de energia e a trajetória de custos da transição energética, que depende diretamente da disponibilidade e do preço desses materiais.
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