INT testa misturas B20, B25 e E35 para ampliar uso de biocombustíveis no Brasil
O Instituto Nacional de Tecnologia (INT), em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME), está testando misturas avançadas de biocombustíveis (B20, B25 e E35), com o objetivo de reduzir a dependência de fósseis e impulsionar a descarbonização do transporte. A iniciativa é amparada pela Lei do Combustível do Futuro e por incentivos tributários recentes, projetando impactos econômicos e ambientais significativos.
O Instituto Nacional de Tecnologia (INT), em colaboração com o Ministério de Minas e Energia (MME), iniciou testes com misturas avançadas de biocombustíveis, incluindo B20 (20% de biodiesel), B25 (25% de biodiesel) e E35 (35% de etanol). A iniciativa visa reduzir a dependência do Brasil de combustíveis fósseis, diminuir as emissões de carbono e aumentar a participação de fontes renováveis na matriz de transportes, superando os atuais percentuais obrigatórios de B15 no diesel e E32 na gasolina.
Os testes para as misturas B20 e B25 tiveram início em maio de 2026, com a primeira etapa do Programa Nacional de Testes de Biodiesel (B16 a B20) começando em agosto do mesmo ano. A previsão é que os estudos para o B20 sejam concluídos em fevereiro de 2027, com a possibilidade de adiamento para agosto de 2027 caso ajustes técnicos sejam necessários. A Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993/24) já prevê uma elevação gradual do percentual de biodiesel em um ponto percentual ao ano, até alcançar 20% em março de 2030, condicionada à validação desses testes. As decisões finais sobre os teores obrigatórios caberão ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), com base nos resultados.
O arcabouço regulatório que suporta essa expansão inclui, além da Lei 14.993/24, a Lei Complementar 235/26, sancionada em agosto de 2026, que permite a redução de tributos federais sobre combustíveis e prevê incentivos para biocombustíveis. Segundo estudo do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), estima-se que a expansão dos biocombustíveis possa adicionar até R$ 403,2 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre 2030 e 2035, gerar cerca de 225,5 mil novos empregos e reduzir até 27,6 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, beneficiando principalmente produtores de etanol e rurais.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) coordena a rede de pesquisa e aprova as diretrizes para a participação de montadoras e fabricantes de motores, que acompanham o processo via Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro. Contudo, a ANP ressalta que o projeto de pesquisa atual “não corresponde à avaliação técnica definitiva para adoção dessas misturas no mercado”, indicando que a implementação da obrigatoriedade dependerá de comprovação robusta de viabilidade e segurança para a frota veicular e a infraestrutura de distribuição.
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