Ibama publica guia para hidrelétricas gerenciarem riscos do El Niño 2026-2027
O Ibama lançou um guia orientativo para empreendedores de usinas hidrelétricas, visando integrar a gestão de riscos climáticos do El Niño Muito Forte 2026-2027 no Licenciamento Ambiental Federal. O documento busca aumentar a resiliência dos ativos e mitigar impactos operacionais e tarifários frente a eventos hidrológicos extremos.
O Ibama publicou em 26 de agosto um guia orientativo para empreendedores de usinas hidrelétricas, focado na gestão de riscos climáticos associados ao El Niño Muito Forte 2026-2027. O documento, embora não estabeleça novas regras vinculantes ou limites numéricos, estrutura a integração da agenda de Adaptação Climática no Licenciamento Ambiental Federal (LAF), um instrumento com poder vinculante sobre a decisão de implantação e operação de projetos.
Intitulado "Guia de Adaptação Climática para Usinas Hidrelétricas - El Niño 2026-2027", o material propõe um modelo de atuação em três etapas – Antecipação (pré-evento), Reação (durante o evento crítico) e Recuperação (pós-evento). O guia detalha a implementação de Medidas Estruturais, Medidas Operacionais e de Pré-contingência, além de Sistemas de Alerta Antecipado (SAA) e Treinamentos para a gestão de riscos climáticos, com aplicação imediata para empreendedores e consultorias envolvidos no LAF.
A iniciativa do Ibama ganha relevância diante das projeções de um "Super El Niño" que, segundo a Ampere Consultoria e TR Soluções, pode adicionar, em média, 2,1 pontos percentuais aos reajustes tarifários residenciais em 2027, com possibilidade de acionamento de bandeiras vermelhas entre julho e outubro. A consultoria Thymos projeta um Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) médio entre R$ 150/MWh e R$ 200/MWh para o segundo semestre de 2026, refletindo a maior escassez hídrica.
Empreendedores de hidrelétricas e suas consultorias são os principais agentes afetados, devendo incorporar as orientações em seus planejamentos e operações. O sistema elétrico e os consumidores tendem a se beneficiar de uma maior resiliência das hidrelétricas, o que pode diminuir a dependência de despacho térmico caro. Contudo, os custos de adaptação recaem sobre os empreendimentos. O principal risco é a insuficiência das medidas, que poderia levar a reservatórios com apenas 70% da capacidade ao final do período úmido de 2027, contra 80% sem o fenômeno, intensificando a pressão sobre preços e tarifas.
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