J&F projeta movimentar 30 milhões de m³/dia de gás até 2030, alta de 150%
O Grupo J&F, por meio de sua comercializadora MGas, projeta elevar a movimentação de gás natural de 12 milhões para 30 milhões de m³/dia até 2030. A expansão de 150% será impulsionada por novos terminais de GNL e produção própria, aproveitando o arcabouço da Nova Lei do Gás para diversificar a oferta e intensificar a competição no mercado brasileiro.
O Grupo J&F, por meio de sua comercializadora MGas, projeta um salto de 150% na movimentação de gás natural, passando dos atuais 12 milhões de m³/dia para 30 milhões de m³/dia até 2030. A meta, divulgada pela J&F, é viabilizada por investimentos em novos terminais de GNL e pela expansão da produção própria de gás, consolidando a estratégia do conglomerado de atuar de forma verticalizada na cadeia de suprimento e comercialização de gás no país.
A projeção da J&F se alinha aos objetivos da Nova Lei do Gás (Lei nº 14.134/2021), que fomenta a entrada de novos agentes ao garantir acesso não discriminatório a infraestruturas essenciais como gasodutos e terminais. Nesse contexto, a MGas e a Fluxus, outra empresa do grupo, já arrendaram um terminal de GNL da NFE em Santa Catarina, com operação prevista para julho de 2027, e estão construindo outro em Pernambuco, a ser concluído em outubro de 2028. A Fluxus também expande a produção de gás na Argentina para mais de 2 MMm³/dia e na Bolívia para 1,1 MMm³/dia até 2028, reforçando o lastro para a comercialização.
O aumento de oferta da J&F representa uma injeção significativa de volume no mercado brasileiro, diversificando as fontes e os agentes supridores. Essa maior competição tende a impactar os preços da molécula e do transporte, beneficiando o mercado livre e a competitividade da indústria e da geração termelétrica, incluindo projetos vencedores do último leilão de potência. A atuação da ANP, que em julho de 2026 aprovou uma atuação de ofício para verificar controvérsias sobre o acesso ao escoamento e processamento de gás natural, demonstra o esforço regulatório contínuo para promover a abertura e a concorrência no setor.
Contudo, a materialização plena dessa projeção depende da conclusão da regulamentação de acesso a gasodutos de escoamento e instalações de tratamento, que ainda está em fase de Consulta Pública nº 13/2026, prorrogada até 14 de setembro de 2026. Além disso, o setor acompanha a disputa judicial entre a Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural por Gasoduto (ATGás) e a ANP sobre a revisão tarifária. Segundo a ABRACE, a resolução da ANP poderia reduzir as tarifas de transporte em até 25%, impactando diretamente a atratividade do gás para o consumidor final.
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