Light anuncia encerramento da recuperação judicial após capitalização de R$ 1,5 bilhão
A Light S.A. comunicou o encerramento de sua recuperação judicial, formalizando o cumprimento das obrigações do plano e normalizando suas operações. A decisão judicial, proferida em 9 de setembro, marca um novo capítulo para a companhia, que concluiu um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão e reestruturou dívidas.
A Light S.A. (LIGT3) anunciou em 15 de setembro de 2026 o encerramento de sua recuperação judicial, declarando cumpridas todas as obrigações previstas no Plano de Recuperação Judicial verificadas durante o período de fiscalização. A decisão, proferida pela 3ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro em 9 de setembro, permite que a companhia opere sem a proteção judicial, removendo formalmente o status de “Em Recuperação Judicial” de seus documentos.
Este marco ocorre após um período de reestruturação intensa, que incluiu a homologação do plano em junho de 2024 e a conclusão de um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão em 15 ou 16 de julho de 2026. Essa capitalização, que elevou o capital social da Light para R$ 6.973.247.478,61, foi crucial para fortalecer a estrutura financeira da empresa e está relacionada à renovação da concessão da Light Serviços de Eletricidade (Light SESA).
Durante o período de fiscalização, que se estendeu de 18 de junho de 2024 a 18 de junho de 2026, a Light cumpriu obrigações como o pagamento à vista de mais de 27 mil credores com créditos de até R$ 30 mil e a reestruturação de títulos de dívida emitidos no exterior. A reestruturação envolveu a emissão de 238.473.768 novas ações ordinárias ao preço de R$ 6,29 por papel, totalizando 611.029.092 papéis representativos do capital social.
Embora o período de fiscalização tenha terminado, algumas obrigações previstas no plano continuam em execução por terem vencimento posterior a 18 de junho de 2026. Entre elas estão a conversão obrigatória de debêntures em ações e o repasse de recursos do aumento de capital à Light SESA, que receberá um aporte de R$ 300 milhões para fortalecer sua estrutura financeira e apoiar os investimentos necessários à renovação da concessão.
Para o mercado, o encerramento da recuperação judicial tende a melhorar significativamente a percepção de risco da companhia, removendo uma das principais incertezas financeiras. Em 19 de agosto de 2026, a Fitch Ratings já havia elevado o rating da Light para 'B-', com perspectiva estável, refletindo a reestruturação da dívida e projetando uma redução da alavancagem de 7,8x EBITDA em 2025 para 4,3x em 2027.
A conclusão bem-sucedida da recuperação judicial da Light, uma das maiores distribuidoras do país, estabelece um precedente importante para o setor elétrico brasileiro. Demonstra a viabilidade de reestruturação de grandes concessionárias em dificuldades financeiras, com implicações para o tratamento regulatório e para a sustentabilidade de outras concessões, sinalizando a importância do suporte regulatório em processos críticos.
A Light agora deve focar na execução das obrigações remanescentes e na gestão operacional sem a proteção judicial. Para acionistas e investidores, a análise de investimento se desloca da recuperação judicial para a capacidade da empresa de sustentar sua operação e gerar caixa, especialmente em um ambiente regulatório e operacional desafiador no Rio de Janeiro, onde a gestão de perdas não técnicas e inadimplência continua sendo um fator crítico.
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