Moment Energy inaugura maior fábrica mundial de baterias de segunda vida para armazenamento
A startup canadense Moment Energy abriu a Megafactory 1, a maior fábrica do mundo dedicada ao reaproveitamento de baterias de veículos elétricos para sistemas de armazenamento de energia de segunda vida, com capacidade de 1 GWh/ano até 2030. No Brasil, o Senado Federal avança na regulamentação da circularidade de baterias, enquanto o mercado de armazenamento projeta um crescimento para R$ 77 bilhões até 2034.

A startup canadense Moment Energy inaugurou em 23 de junho a Megafactory 1 em Surrey, Colúmbia Britânica, apresentando-a como a maior fábrica mundial dedicada ao reaproveitamento de baterias de veículos elétricos (EV) para sistemas de armazenamento de energia de segunda vida. A instalação, que se tornou operacional em apenas seis semanas após o anúncio do projeto, representa um avanço significativo na economia circular e na capacidade de armazenamento energético.
Em vez de produzir novas células, a Megafactory 1 recondiciona baterias de EV aposentadas, que ainda retêm entre 70% e 85% de sua capacidade original, transformando-as em sistemas de armazenamento em escala comercial. Esses sistemas são projetados para infraestruturas críticas, como data centers, hospitais, fábricas e microrredes, onde a demanda por eletricidade é crescente e a confiabilidade do fornecimento é essencial.
A iniciativa ocorre em um momento em que a primeira onda de baterias de veículos elétricos começa a atingir sua vida útil em automóveis, mas ainda possui capacidade significativa para aplicações estacionárias, onde o peso e o tamanho são menos restritivos. A Moment Energy projeta que a fábrica produzirá 1 gigawatt-hora (GWh) de sistemas de armazenamento por ano até 2030, criando mais de 100 empregos diretos e mil empregos indiretos na região.
Fundada em 2020 por Edward Chiang e outros, a Moment Energy evoluiu de uma startup universitária para uma empresa comercial, com apoio de investidores privados e do governo canadense, que aportou CA$ 4,9 milhões por meio da PacifiCan. A empresa também garantiu as certificações de segurança de produto (UL 1974) e funcional (UL 9540A) para seu sistema de gerenciamento de baterias de segunda vida, um marco importante para a credibilidade e a expansão da tecnologia.
No Brasil, o debate sobre o destino das baterias de veículos elétricos e híbridos também avança no legislativo. A Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado Federal aprovou, em 9 de junho, um substitutivo a um projeto que estabelece a Política Nacional de Circularidade das Baterias Veiculares. A proposta prevê que, após a sanção da lei, fabricantes, montadoras e importadores deverão apresentar Planos de Logística Reversa de Baterias (PLRB) ao órgão ambiental competente.
O mercado brasileiro de armazenamento de energia com baterias, incluindo o potencial de segunda vida, projeta um crescimento robusto. Estimativas indicam uma movimentação de R$ 2,2 bilhões em 2025, mais que o triplo dos R$ 700 milhões registrados em 2024. A projeção de longo prazo aponta para um mercado de R$ 77 bilhões até 2034, com uma capacidade instalada de 72 GWh, evidenciando o potencial econômico e energético dessa tecnologia no país.
A regulamentação e o avanço desse mercado no Brasil podem gerar impactos significativos para o setor elétrico. A utilização de sistemas de armazenamento pode reduzir a dependência de termelétricas, que contribuem para encargos setoriais, e oferecer uma alternativa mais competitiva para a segurança energética, especialmente considerando que a capacidade instalada da matriz brasileira, em julho de 2026, é de 42,8% hidráulica e 21,7% de renováveis intermitentes (eólica 13,7%, solar 8%), segundo o ONS.
No entanto, a efetivação desses benefícios e o pleno desenvolvimento do setor no Brasil dependem da superação de desafios regulatórios. O setor considera a aprovação de um Marco Legal do Armazenamento fundamental para acelerar investimentos, já que a ausência de regras claras gera incertezas para os agentes interessados em desenvolver projetos e tecnologias, apesar do grande potencial de crescimento e dos benefícios ambientais.
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