ONS adota estratégia de preservação de reservatórios no Sul para mitigar riscos do El Niño
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) implementa uma estratégia para preservar os reservatórios da região Sul, visando garantir o suprimento de energia diante dos potenciais impactos do El Niño. A medida antecipa um possível atraso das chuvas no Norte, região crucial com grandes hidrelétricas, que poderia comprometer a disponibilidade de potência na transição para o período úmido.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prepara o sistema para os efeitos do El Niño, priorizando a preservação dos reservatórios da região Sul do país. A medida visa garantir o atendimento da demanda de potência nos meses mais críticos, ante a apreensão com um possível atraso das chuvas na região Norte, crucial para a geração hidrelétrica brasileira.
Alexandre Zucarato, diretor de planejamento do ONS, detalhou a estratégia durante o Encontro Nacional do Setor Elétrico (Enase). Ele explicou que a preocupação central reside na redução das afluências em usinas estruturantes do Norte, como Belo Monte, Santo Antônio e Jirau, caso o fenômeno climático altere o regime de chuvas, especialmente na transição entre a estação seca e o início das precipitações.
Para mitigar esse risco, o ONS pretende manter os reservatórios do Sul o mais cheios possível até a chegada do período chuvoso. O objetivo é assegurar a capacidade de geração nos momentos de maior necessidade do sistema, uma lição aprendida com a crise hídrica de 2021, que expôs a vulnerabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) aos baixos níveis de armazenamento, especialmente no Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste.
Essa gestão estratégica foca particularmente nos estoques das bacias dos rios Grande e Paranaíba, que alimentam usinas de grande porte como Itaipu. O ONS busca que a chuva, mesmo sem elevar os volumes de forma drástica, ajude a estabilizar os níveis dos reservatórios, evitando quedas acentuadas e, assim, garantindo uma reserva de potência firme para o sistema.
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), presidido pelo Ministro de Minas e Energia, poderá autorizar o despacho de usinas termelétricas fora da ordem de mérito econômico, caso as condições hidrológicas exijam. Essa prerrogativa é um instrumento regulatório para garantir a segurança energética em cenários de risco, priorizando a estabilidade do suprimento em detrimento do custo imediato. Tal medida impacta diretamente o Custo Marginal de Operação (CMO) e o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).
A matriz elétrica brasileira, com cerca de 60% de sua capacidade instalada proveniente de hidrelétricas, é altamente sensível às variações climáticas. Historicamente, o El Niño tem sido associado a secas no Norte e Nordeste e a chuvas acima da média no Sul, como observado no evento de 2015-2016. A estratégia atual do ONS reflete a experiência de que o atraso nas chuvas em bacias estruturantes do Norte pode desequilibrar a oferta de potência em momentos críticos, demandando uma gestão proativa dos reservatórios.
A decisão de poupar reservatórios no Sul, embora essencial para a segurança do suprimento, pode ter reflexos nas tarifas de energia e no mercado livre. O eventual acionamento de termelétricas mais caras para compensar a menor geração hidrelétrica ou preservar os estoques hídricos eleva o CMO e o PLD, resultando em bandeiras tarifárias mais onerosas para o consumidor cativo e em preços mais altos no mercado de curto prazo para os agentes.
Os próximos passos do setor incluem o monitoramento contínuo das projeções climáticas para o El Niño e seus impactos nas afluências dos rios, especialmente nas bacias do Norte e Sudeste/Centro-Oeste. O ONS continuará a apresentar cenários ao CMSE, que se reúne mensalmente para avaliar as condições de suprimento e tomar decisões operativas, como a autorização para o despacho de térmicas ou outras medidas de flexibilização, conforme a evolução das condições hidrológicas e da demanda de energia.
Fonte
Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de CNN Brasil. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
Acessar fonte oficialTags