ONS projeta carga de 98,8 GW médios até 2030 e alerta para déficit de potência
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prevê um crescimento médio anual de 4,0% na carga do SIN até 2030, alcançando 98.824 MW médios, mas alerta para a violação dos parâmetros de risco de potência já a partir de 2026, recomendando leilões anuais de reserva de capacidade ao Poder Concedente. A projeção, parte do Plano da Operação Energética (PEN) 2026-2030, aponta ainda para R$ 28,1 bilhões em investimentos em transmissão e uma redução de 0,3% na expectativa de carga em relação à previsão inicial.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou em 1º de julho os resultados do Plano da Operação Energética (PEN) para o quinquênio 2026-2030, projetando um crescimento médio anual de 4,0% na carga do Sistema Interligado Nacional (SIN), com a demanda atingindo 98.824 MW médios ao final do período. Para o ano corrente de 2026, a expectativa é de uma elevação de 3,1% na carga global, totalizando 83.826 MW médios, mas o documento alerta sobre o déficit de potência e a necessidade de leilões anuais de reserva de capacidade.
A projeção de carga para o período de 2026 a 2030 representa uma leve revisão para baixo em relação à previsão inicial, com uma redução média anual de 283 MW médios, ou -0,3%. Essa moderação reflete uma reavaliação das perspectivas econômicas, com a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 sendo ajustada de 2,1% para 2,0%, impactando diretamente a demanda por energia elétrica.
Em paralelo ao cenário de carga, o ONS detalha um robusto plano de investimentos em transmissão, totalizando R$ 28,1 bilhões. Desse montante, R$ 22,7 bilhões serão destinados a novos empreendimentos que adicionarão 5.301 km de linhas de transmissão e 24.314 MVA em capacidade de transformação. Esses aportes representam aumentos de 3% e 5,7%, respectivamente, com destaque para a ampliação da capacidade de intercâmbio da região Sul em 20% e entre Sudeste/Centro-Oeste e Norte/Nordeste em 25% até 2030.
Apesar do crescimento projetado da carga e dos investimentos em transmissão, o PEN 2026-2030 revela uma tensão crítica: a violação dos parâmetros de risco de potência a partir de 2026. Diante desse cenário, o ONS recomenda ao Poder Concedente a realização anual de novos Leilões de Reserva de Capacidade na forma de Potência, medida para garantir a segurança e a confiabilidade do suprimento energético.
A materialização de leilões de reserva de capacidade, como os já realizados, tende a impactar os custos para os consumidores. Um leilão anterior dessa natureza (LRCAP) resultou em um adicional estimado de R$ 70/MWh nas tarifas, o que se traduziu em um impacto médio de 9% na conta dos consumidores residenciais. A reiteração dessa necessidade pelo ONS sinaliza uma pressão contínua sobre os custos do sistema.
Outro ponto de atrito identificado pelo Operador é a tendência de aumento do *curtailment* (corte de geração) de fontes eólicas e solares. Esse fenômeno, que já é uma preocupação crescente, indica um descompasso entre a expansão acelerada da capacidade de geração renovável e a capacidade do sistema de absorver e escoar essa energia de forma eficiente, o que levanta desafios para a operação e o planejamento dessas fontes.
A Geração Distribuída (GD) também é citada como um fator que demanda nova coordenação entre ONS, distribuidoras e instituições setoriais. Seus impactos na segurança da operação elétrica e o potencial de agravar o déficit de potência do sistema exigem um olhar atento e medidas integradas para gerenciar sua expansão e integração de forma sustentável.
As projeções do PEN servem como baliza fundamental para o planejamento de todos os agentes do setor elétrico, desde distribuidores e geradores até comercializadores e consumidores livres, que precisam alinhar suas estratégias e investimentos ao cenário traçado. Atualmente, a carga do SIN está em 81.463 MW, segundo dados do Radar Energia, um patamar próximo à projeção do ONS para 2026, com uma matriz de geração que hoje conta com 13,7% de eólica e 8% de solar, segundo dados do ONS para julho de 2026, reforçando a relevância da discussão sobre o *curtailment* e a necessidade de flexibilidade operacional.
O Plano da Operação Energética (PEN) é um documento de planejamento técnico do ONS, funcionando como subsídio para o setor. Suas projeções e recomendações, como a necessidade de Leilões de Reserva de Capacidade, são insumos para o Poder Concedente e podem ser formalizadas posteriormente por meio de portarias do Ministério de Minas e Energia (MME) ou resoluções da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que são os órgãos reguladores responsáveis por transformar essas diretrizes em atos normativos vinculantes.
Tags
Receba o essencial do setor de energia
Os principais fatos que afetam preço, regulação, geração e combustíveis — todo dia ao meio-dia, no seu e-mail.
Como esta matéria foi produzida: apurada a partir da fonte oficial citada e de documentos primários, com verificação de números, datas e prazos antes da publicação, seguindo a nossa Política Editorial — que inclui o uso de tecnologia própria na apuração. Viu algo a corrigir? Fale com a redação.