ONS projeta redução de cortes de geração e alta de 4% na carga do SIN até 2030
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) projeta uma queda expressiva nos cortes de geração (curtailment) no Sistema Interligado Nacional (SIN) até 2030, de 19% para 14% das horas, motivada pelo crescimento da demanda e pela expansão de soluções de armazenamento. O Plano da Operação Energética (PEN) 2026-2030 indica um avanço médio anual de 4,0% na carga do SIN, alcançando 98.824 MW médios ao final do período.
O Sistema Interligado Nacional (SIN) registrará uma redução significativa nos cortes obrigatórios de geração de energia, o curtailment, nos próximos anos, conforme as projeções do Plano da Operação Energética (PEN) 2026-2030, divulgado pelo ONS. A avaliação probabilística inédita indica que a incidência de cortes cairá de 19% das horas em 2027 para 14% em 2030, com a média mensal de energia cortada passando de 3 GW-3,5 GW para um patamar entre 2 GW e 2,3 GW no mesmo período.
A diminuição dos cortes, que inclui uma queda da parcela por confiabilidade de 500 MW médios para 240 MW médios, reflete o crescimento robusto da demanda e a inserção crescente de soluções de armazenamento, como os sistemas de baterias (BESS) e usinas hidrelétricas reversíveis (UHRs). Esse cenário indica maior flexibilidade e resiliência na operação do sistema, mitigando o descarte de excedentes de geração, especialmente de fontes renováveis intermitentes.
Paralelamente, o PEN 2026-2030 projeta um crescimento médio anual de 4,0% na carga do SIN, em consonância com a 1ª Revisão Quadrimestral das Previsões de Carga, elaborada por ONS, CCEE e EPE. A carga global estimada para 2026 é de 83.826 MW médios, um aumento de 3,1% em relação ao ano anterior, e deve atingir 98.824 MW médios em 2030.
As projeções de carga incorporam fatores setoriais relevantes, como a expansão da Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), a crescente demanda por Data Centers e a integração de Roraima ao Subsistema Norte, efetivada desde setembro de 2025. A revisão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,1% para 2,0% em 2026 também foi considerada, refletindo a atenção do planejamento às variáveis macroeconômicas.
O ONS promoveu uma série de workshops para apresentar os resultados das previsões de carga aos agentes do setor elétrico, como distribuidores, geradores, consumidores livres e comercializadores. Um workshop específico foi dedicado aos agentes de distribuição para detalhar o novo processo de integração da geração, conforme os Procedimentos de Rede aprovados pela ANEEL em conformidade com a Resolução Normativa (REN) nº 1.067/2023, que orienta a conexão de novos empreendimentos.
A estratégia de combate ao curtailment e a garantia de suprimento futuro relacionam-se diretamente com os Leilões de Reserva de Capacidade (LRCAP), com destaque para os focados em armazenamento. ONS e EPE divulgaram nota técnica com a metodologia para os LRCAP de 2026, e a ANEEL homologou parcialmente contratos desses leilões em 9 de junho de 2026, apesar de questionamentos judiciais. Os produtos com entrega para 2026 foram confirmados em 21 de maio de 2026, e os com entregas a partir de 2027 em 9 de junho de 2026.
Apesar da homologação, a Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) e a ABRACE, associação que representa grandes grupos empresariais, alertam para um impacto potencial de aproximadamente 10% na tarifa média de eletricidade decorrente dos LRCAP. Essa projeção, embora não confirmada oficialmente por ONS ou ANEEL, evidencia uma tensão entre a garantia de suprimento e o custo final ao consumidor, em um cenário onde o PLD médio do SIN está em R$ 128,45/MWh.
Os relatórios técnicos finais do Plano da Operação Energética (PEN) 2026-2030, que consolidam análises e projeções, serão disponibilizados publicamente em 31 de julho de 2026. Os documentos estarão acessíveis nos sites institucionais do ONS e no portal SINtegre, servindo de base para o planejamento e as decisões de investimento no setor elétrico nos próximos anos.
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