ONS registra curtailment recorde de 14,2 GW de eólica e solar no Nordeste
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) realizou um corte histórico de 14.278 MW de geração eólica e solar no Nordeste no último domingo, o maior volume de curtailment já registrado no Sistema Interligado Nacional (SIN). A intervenção foi crucial para estabilizar a frequência da rede, frente ao excedente de oferta renovável em um período de baixa demanda.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) realizou um corte de 14.278 MW de energia eólica e solar no Nordeste no último domingo, marcando o maior registro de curtailment de fontes renováveis na história do Sistema Interligado Nacional (SIN). A decisão operacional visou garantir a segurança e a estabilidade da rede, diante do excesso de geração e da necessidade de controle da frequência do sistema.
O volume recorde de curtailment não representa um evento isolado, mas sim um sintoma agudo de um desafio crescente na região, consolidada como o principal polo de energias renováveis do Brasil. Com mais de 30 GW de capacidade instalada em eólica e solar, o Nordeste concentra cerca de 70% da geração eólica e 40% da solar fotovoltaica do país. A intermitência dessas fontes, combinada com picos de geração e baixa carga, especialmente aos domingos, exige intervenções do ONS.
O curtailment, ou corte de geração, é uma ferramenta operacional rotineira do ONS, empregada para equilibrar a oferta e a demanda e manter a integridade da rede. Contudo, a magnitude do corte de 14 GW representa uma parcela significativa da capacidade instalada na região, sinalizando um ponto crítico na integração dessas fontes. Isso expõe as limitações da infraestrutura de transmissão e a necessidade de maior flexibilidade no sistema.
Os procedimentos de rede do ONS, que priorizam a segurança e a confiabilidade do sistema elétrico, fundamentam essas decisões de curtailment. A ausência de um mecanismo de compensação específico para geradores que sofrem cortes por excesso de oferta ou controle de frequência, ao contrário das restrições de transmissão com regras contratuais, implica uma perda direta de receita para os empreendimentos afetados.
A perda econômica para os geradores é considerável, impactando diretamente a rentabilidade dos projetos e elevando a percepção de risco para futuros investimentos em energias renováveis na região. Se este cenário persistir e se agravar, poderá desincentivar a expansão de novas usinas, comprometendo as metas de descarbonização e transição energética do país, além de desperdiçar energia limpa que poderia substituir fontes mais caras ou poluentes.
A solução para o desafio do curtailment reside na expansão e no reforço da infraestrutura de transmissão. Projetos como as “Linhas de Transmissão do Nordeste” e futuros leilões são cruciais para aumentar a capacidade de escoamento da energia gerada na região para os centros de consumo.
Além da transmissão, o desenvolvimento de tecnologias de armazenamento de energia, como baterias de grande escala, e a implementação de mecanismos de resposta da demanda são essenciais para aumentar a flexibilidade do sistema. Essas soluções permitiriam absorver os excedentes de geração renovável, armazenando-os para uso em períodos de menor oferta ou maior demanda, e mitigariam a intermitência característica dessas fontes.
O desafio enfrentado pelo Brasil não é exclusivo. Regiões com alta penetração de renováveis, como Califórnia, Alemanha e Texas, também lidam com problemas semelhantes de gerenciamento de excedentes e estabilidade da rede. Esses mercados têm investido massivamente em armazenamento, modernização da rede e mercados de serviços ancilares, oferecendo um roteiro valioso para o planejamento energético brasileiro. O ONS e a ANEEL estão em constante avaliação para aprimorar os procedimentos e o planejamento setorial.
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