Petrobras investe US$ 1,2 bilhão para transformar refinaria de Cubatão em polo de biocombustíveis
A Petrobras aprovou um investimento de US$ 1,2 bilhão, o equivalente a cerca de R$ 6 bilhões, para converter a Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP), em um polo de produção de bioquerosene de aviação (BioQAV) e diesel renovável. A decisão marca uma reorientação estratégica da companhia, que foca na transição energética e na descarbonização de seu portfólio de combustíveis.
A Diretoria Executiva e o Conselho de Administração da Petrobras aprovaram um investimento de US$ 1,2 bilhão, equivalente a cerca de R$ 6 bilhões, para o projeto RPBC Biorrefino. O montante será destinado à implantação de unidades que permitirão a produção de bioquerosene de aviação (BioQAV) e diesel renovável na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), localizada em Cubatão, São Paulo, consolidando a unidade como um polo de biocombustíveis.
Essa decisão representa uma guinada estratégica para a Petrobras, que, sob a gestão atual, prioriza a transição energética e a redução de emissões. A RPBC, que anteriormente esteve incluída no plano de desinvestimentos da estatal para a venda de oito refinarias, agora recebe um foco renovado em produtos de baixo carbono, alinhando-se às metas de descarbonização e diversificação do portfólio da companhia.
A produção de BioQAV e diesel renovável na RPBC está inserida no contexto regulatório impulsionado pelo RenovaBio (Lei nº 13.576/2017), que estabelece metas compulsórias de descarbonização para o setor de combustíveis no Brasil. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) é o principal órgão regulador, responsável por definir as especificações técnicas e certificar a qualidade desses biocombustíveis, garantindo padrões de segurança e interoperabilidade, em especial para o combustível de aviação.
O projeto é estratégico para o Brasil, um dos maiores consumidores de diesel e querosene de aviação (QAV) na América Latina. A indústria da aviação, em particular, busca reduzir suas emissões em 50% até 2050, e o mercado global de Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF, do inglês Sustainable Aviation Fuels), dos quais o BioQAV é um tipo, projeta um crescimento exponencial, podendo atingir centenas de bilhões de dólares nas próximas décadas. O Brasil tem um potencial notável para se tornar um grande produtor de SAF, dada sua vasta matriz agrícola e a disponibilidade de matérias-primas renováveis.
O investimento na RPBC terá impacto direto na redução das emissões de gases de efeito estufa do setor de transportes, contribuindo para as metas nacionais de descarbonização. A produção local de BioQAV e diesel renovável pode diminuir a dependência de importações de combustíveis, fortalecendo a segurança energética do país e gerando valor ao longo da cadeia de suprimentos de matérias-primas, como óleos vegetais e gorduras residuais, com reflexos positivos para o agronegócio e a indústria.
Globalmente, grandes empresas do setor energético, como a finlandesa Neste, a francesa TotalEnergies e a norte-americana ExxonMobil, já direcionam investimentos significativos para biorrefinarias, convertendo unidades existentes ou construindo novas para a produção de diesel renovável e BioQAV. No Brasil, a própria Petrobras já possui projetos semelhantes, como a unidade de diesel renovável na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, que também prevê a produção de BioQAV, o que evidencia uma estratégia consistente da estatal.
Com a aprovação dos recursos, a Petrobras deve agora avançar para as fases de engenharia detalhada e contratação de fornecedores e construtoras para a implementação das unidades de biorrefino na RPBC. A expectativa é que o projeto leve alguns anos para ser concluído, com a produção em escala prevista para meados desta década, dependendo do cronograma e da obtenção de todas as licenças ambientais e operacionais necessárias dos órgãos competentes.
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