Rabobank projeta queda na demanda por fertilizantes no Brasil em 2026
O consumo de fertilizantes no Brasil deve cair em 2026, segundo projeção do Rabobank. Essa queda é impulsionada pelo aperto financeiro dos produtores rurais e pelas tensões geopolíticas que impactam os custos e a logística dos insumos, alertando para riscos à produtividade agrícola e ao setor de biocombustíveis.
O consumo de fertilizantes no Brasil deve cair em 2026, segundo projeção do Rabobank. A análise do banco holandês aponta o aperto financeiro dos produtores rurais e as persistentes tensões geopolíticas como os principais fatores que impactam os custos e a logística dos insumos, resultando em menor demanda no país.
Essa projeção levanta preocupações para um setor já sensível à volatilidade global. O Brasil, quarto maior consumidor mundial de fertilizantes, importa cerca de 85% do que utiliza, com Rússia e Belarus como fornecedores cruciais de potássio e nitrogênio. Essa dependência ficou evidente com a invasão da Ucrânia em 2022, que elevou drasticamente os preços e gerou uma corrida por fontes alternativas, levando a uma redução pontual no uso por parte de alguns produtores.
Uma eventual redução na demanda por esses insumos, que superou 45 milhões de toneladas em 2021, aponta para o risco de queda na produtividade agrícola. Isso afetaria a oferta de grãos e, consequentemente, os preços dos alimentos no mercado interno e as exportações. Para o segmento de biocombustíveis, especialmente a cana-de-açúcar e o milho para etanol, a menor aplicação de fertilizantes pode resultar em custos de produção mais altos por unidade ou menor rentabilidade por área cultivada, impactando a competitividade do setor.
Para mitigar essa vulnerabilidade, o governo federal implementou o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), instituído em 2021 e atualizado em 2022. A meta é reduzir a dependência externa para 50% até 2050, fomentando a produção nacional, diversificando fornecedores e otimizando o uso dos insumos. Para isso, é fundamental atrair investimentos e desenvolver tecnologias.
O PNF prevê a atração de investimentos para a produção nacional, especialmente de fertilizantes nitrogenados e fosfatados, e o desenvolvimento de fontes alternativas, como o potássio de rochas brasileiras. Há expectativa de novos leilões e incentivos para projetos de exploração e produção, além de consultas para tecnologias que otimizem o uso de insumos, com o objetivo de fortalecer a autonomia do país no médio e longo prazo.
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