SIN opera com 70,9% de EAR e alta carga, mas restringe renováveis por frequência
O Sistema Interligado Nacional (SIN) registrou em 29 de junho de 2026 níveis de armazenamento de energia (EAR) de 70,9% e uma carga global de 75.074 MWméd. Apesar da situação hídrica confortável, o ONS reportou restrições na geração eólica e solar em submercados importantes devido a controles de frequência.
O Sistema Interligado Nacional (SIN) operou em 29 de junho de 2026 com níveis de armazenamento de energia (EAR) confortáveis, com 70,9% da capacidade total, enquanto a carga global do sistema atingiu 75.074 MWméd. No entanto, o dia foi marcado por restrições na geração de fontes renováveis, como eólica e solar, em submercados importantes devido a controles de frequência, conforme o Informativo Preliminar Diário da Operação (IPDO) do ONS.
A matriz de geração do dia refletiu a robustez hídrica do sistema, com as usinas hidráulicas responsáveis por 54% da energia entregue, complementadas por 19% de eólica e 13% de solar, somando 32% de fontes renováveis intermitentes. A participação térmica foi de apenas 11%, um contraste com períodos de seca severa, como em 2021, quando o despacho térmico massivo elevou os custos. A carga de 75.074 MWméd, superior à média anual de 70 GWméd em 2023, indica uma demanda aquecida, porém bem atendida pela oferta disponível e pelos elevados níveis dos reservatórios, que superam a média histórica para junho.
As restrições operacionais, no entanto, sinalizam desafios crescentes na integração de fontes intermitentes. A geração hidráulica ficou abaixo do programado no Sul, Sudeste/Centro-Oeste e Norte devido à carga inferior. A principal preocupação, contudo, reside no curtailment de eólicas e solares nessas mesmas regiões devido ao controle de frequência. Esse cenário, comum em sistemas como Califórnia e Alemanha, resulta em perda de receita para os geradores renováveis e impede o aproveitamento pleno da energia mais barata e limpa, gerando tensões entre os geradores e o ONS, que prioriza a estabilidade do sistema. Intercâmbios internacionais também sofreram ajustes, com o fluxo para a Argentina abaixo do previsto devido a restrição na UTE Nova Piratininga e para o Uruguai devido a rampas de potência na conversora.
A condição hídrica favorável e o baixo despacho térmico contribuem para manter o PLD em patamares mais baixos, beneficiando consumidores do mercado livre e aliviando custos no mercado cativo. O ONS e a ANEEL deverão intensificar o monitoramento e a busca por soluções para os gargalos de transmissão e a necessidade de flexibilidade da rede, como armazenamento de energia, para acomodar a expansão das renováveis e evitar que as restrições operacionais se tornem mais frequentes, impactando a segurança e a economia do sistema.
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