União Europeia destina R$ 1,5 bilhão para infraestrutura e hidrogênio verde no Brasil
A União Europeia anunciou um pacote de investimentos de 266 milhões de euros, o equivalente a R$ 1,5 bilhão, para quatro projetos estruturais no Brasil, com foco em conectividade digital e energias limpas. O aporte foi oficializado durante o II Fórum de Investimentos UE-Brasil e destinará a maior parte dos recursos à expansão da fibra óptica na Amazônia e ao desenvolvimento do mercado de hidrogênio renovável.

A União Europeia (UE) destinará 266 milhões de euros, equivalentes a cerca de R$ 1,5 bilhão, a quatro projetos estruturais no Brasil. O anúncio foi feito nesta terça-feira (23) pelo comissário europeu para Parcerias Internacionais, Josef Sikela, durante o II Fórum de Investimentos UE-Brasil, em Brasília. A iniciativa prioriza conectividade digital, matrizes energéticas limpas e direitos humanos, com foco nas regiões Norte e Nordeste do país.
O maior volume de recursos, 260,8 milhões de euros, será direcionado à expansão da rede de telecomunicações. O plano prevê a extensão do cabo de fibra óptica submarino que atualmente conecta Fortaleza a Portugal, alcançando os estados do Maranhão e do Pará. O objetivo é aprimorar a infraestrutura de internet na região amazônica, reduzindo a exclusão digital em uma das áreas com maiores lacunas de acesso à banda larga no país.
Complementando o eixo de conectividade, o bloco europeu aportará também 1,5 milhão de euros para garantir o acesso à rede em comunidades isoladas no Amazonas. Essa iniciativa se alinha a programas como o “Norte Conectado”, que buscam interligar a região por cabos subfluviais, sendo vital para melhorar o acesso à educação, saúde e serviços governamentais para populações remotas.
No setor de sustentabilidade, a UE confirmou, no fórum, um repasse de 3 milhões de euros, somados a um cofinanciamento de 510 mil euros da Alemanha, para fomentar e consolidar o mercado de hidrogênio renovável em território nacional. Este investimento ocorre em um momento crucial, enquanto o Brasil ainda busca estabelecer um marco regulatório robusto para o setor, com projetos de lei como o PL 581/2024 em tramitação no Congresso Nacional.
A ausência de um arcabouço legal sólido representa um desafio, mas o aporte da UE e da Alemanha sinaliza o reconhecimento do potencial brasileiro, incentivando a aceleração da regulamentação e a atração de mais investimentos privados. O Brasil, com mais de 80% de sua matriz elétrica proveniente de fontes renováveis, possui um potencial único para a produção de hidrogênio verde (H2V) competitivo globalmente, com portos como Pecém (CE), Suape (PE) e Açu (RJ) já atraindo bilhões de dólares em memorandos de entendimento para projetos de H2V.
Este pacote de investimentos integra a estratégia “Global Gateway” da UE, lançada em 2021, que visa mobilizar até 300 bilhões de euros em investimentos sustentáveis globalmente até 2027. A iniciativa posiciona a União Europeia como um parceiro estratégico para o desenvolvimento de infraestruturas resilientes e sustentáveis, e o Brasil é um parceiro prioritário, especialmente em energias renováveis e matérias-primas críticas, alinhando-se aos objetivos de segurança energética e descarbonização da Europa.
O investimento no hidrogênio verde deve acelerar a descarbonização da indústria e do transporte no Brasil, posicionando o país como futuro exportador de energia limpa para a Europa e contribuindo para as metas de transição energética global. A expansão da fibra óptica na Amazônia terá um impacto direto na inclusão digital, melhorando o acesso a serviços essenciais e fomentando o desenvolvimento econômico local e a inovação tecnológica na região.
O projeto Cunhaitá Kirimbawasá receberá uma subvenção de 700 mil euros do bloco, de um orçamento total de 777,7 mil euros, para apoiar 25 organizações de mulheres e jovens indígenas no Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima, com foco na liderança política e defesa institucional de direitos. Este componente reforça a abrangência da parceria, que se estende além da infraestrutura e energia, englobando o desenvolvimento social e a proteção de direitos humanos.
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