Ágora projeta impacto relevante para Engie com potencial compra de fatia em Jirau
A Ágora Investimentos atualizou as estimativas para a Engie Brasil Energia, incorporando a possível aquisição de 40% da Usina Hidrelétrica de Jirau, com projeção de impacto relevante nos resultados da companhia a partir de 2027. A transação potencial reforçaria a capacidade de geração hidrelétrica da Engie, já uma das maiores geradoras privadas do país.
A Ágora Investimentos revisou suas projeções para a Engie Brasil Energia, incorporando a potencial aquisição de uma participação de 40% na Usina Hidrelétrica de Jirau, localizada no Rio Madeira, em Rondônia. A corretora estima um impacto relevante nos resultados da geradora a partir de 2027, um movimento estratégico que se destaca mesmo em um cenário de restrições na geração renovável, como as observadas no segundo trimestre deste ano.
A análise da Ágora aponta que a entrada da Engie Brasil Energia no capital da Jirau representa um movimento estratégico para a companhia, adicionando um ativo de grande porte e alta confiabilidade ao seu portfólio. Com capacidade instalada de 3.750 MW, a Usina Hidrelétrica de Jirau é uma das maiores do Brasil e peça fundamental na matriz predominantemente hidrelétrica do país, respondendo por cerca de 2,2% da capacidade total de geração nacional, que supera 190 GW.
Caso a aquisição se concretize, a Engie, que já opera com cerca de 10 GW de capacidade instalada, majoritariamente renovável, adicionaria aproximadamente 1.500 MW ao seu parque gerador. Essa expansão consolidaria sua posição no mercado e diversificaria sua base de ativos com uma fonte de energia de baixo custo operacional, reforçando a estabilidade de sua receita por meio de contratos de longo prazo.
Os 40% da Energia Sustentável do Brasil (ESBR), consórcio que detém Jirau, estão atualmente nas mãos de outros grandes atores do setor, incluindo Eletrobras, Cemig e Mitsui. A Engie, que já integrou o consórcio original GDF Suez, busca agora reconfigurar as participações, movimentando o mercado de fusões e aquisições no segmento de geração de energia.
Para que a operação avance, a Engie e os atuais detentores da fatia em Jirau precisarão da anuência prévia da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômico (CADE). A transferência de controle ou participação relevante em concessões de geração é regida pela Lei nº 9.074/95 e pela Lei nº 9.427/96, que criou a ANEEL, além da Resolução Normativa ANEEL nº 880/2020, que estabelece os procedimentos para esses atos.
A construção de Jirau, iniciada em 2008 e concluída em 2016, representou um dos maiores empreendimentos de infraestrutura do país, enfrentando desafios ambientais e sociais significativos. A possível aquisição pela Engie se alinha a uma tendência de consolidação e otimização de portfólios por grandes grupos energéticos, como observado em movimentos recentes de privatização da Eletrobras e vendas de ativos de geração da Cemig.
O impacto projetado pela Ágora a partir de 2027 sugere que os ganhos de sinergia ou a renegociação de contratos de energia de Jirau levariam alguns anos para se materializar plenamente nos resultados da Engie. Para o mercado, a transação pode sinalizar um movimento de consolidação no segmento de geração, com grandes players buscando ativos de grande escala e baixo risco operacional, o que pode influenciar a oferta e os preços no mercado livre de energia a longo prazo.
Os próximos passos incluirão a formalização da proposta de aquisição, uma due diligence detalhada dos ativos e passivos da ESBR, e a obtenção das aprovações regulatórias. A ANEEL e o CADE deverão analisar a operação para garantir a conformidade com as regras do setor e a livre concorrência, com o horizonte de 2027 indicando o prazo estimado para a conclusão do processo de aquisição, integração e otimização dos ativos.
Fonte
Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de Agora. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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