Aneel aprova reajuste de 16,06% na tarifa da RGE Sul a partir de 19 de junho
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) homologou um reajuste tarifário médio de 16,06% para os consumidores da RGE Sul Distribuidora, com impacto a partir de 19 de junho de 2026. O aumento é impulsionado principalmente por componentes financeiros e encargos setoriais, afetando 3,19 milhões de unidades consumidoras no Rio Grande do Sul.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira, 16 de junho de 2026, um reajuste tarifário médio de 16,06% para os consumidores da RGE Sul Distribuidora de Energia (RGE). O novo patamar de preços entrará em vigor na próxima sexta-feira, 19 de junho, afetando 3,19 milhões de unidades consumidoras no Rio Grande do Sul.
A decisão da reguladora detalha o aumento por grupo de tensão. Para os consumidores conectados em alta tensão, que incluem indústrias e grandes empresas, o reajuste médio será de 19,02%. Já para aqueles conectados em baixa tensão, grupo que abrange residências, pequenos comércios, propriedades rurais e pequenas indústrias, a elevação média será de 14,94%.
Os principais fatores que pressionaram a tarifa foram os componentes financeiros, que representaram o maior peso na composição do aumento. Os encargos setoriais, custos repassados a todas as distribuidoras, e os custos de aquisição e transmissão de energia também contribuíram para a alta neste ciclo de reajuste tarifário.
Em contrapartida, a Parcela B, que engloba os custos operacionais da concessionária — como despesas com operação, manutenção, investimentos e a remuneração da própria distribuidora pela prestação do serviço —, teve uma redução. Essa compensação, contudo, não foi suficiente para anular o impacto dos demais componentes de custo que elevaram a tarifa.
A RGE Sul, sediada em São Leopoldo (RS), é uma das maiores distribuidoras do estado, atendendo aproximadamente 3,19 milhões de unidades consumidoras em sua área de concessão. A energia elétrica sob sua gestão gera um faturamento anual de cerca de R$ 11,68 bilhões, o que demonstra a dimensão do impacto de qualquer alteração tarifária.
O reajuste tarifário anual é um mecanismo regulatório previsto nos contratos de concessão das distribuidoras de energia, para atualizar os valores das tarifas com base na inflação e nos custos pass-through. A Aneel, criada em 1997 e amparada pela Lei nº 9.427/1996, é a responsável por homologar esses ajustes, buscando o equilíbrio econômico-financeiro das empresas e a modicidade tarifária, embora os aumentos sejam frequentemente contestados pelos consumidores.
Este aumento terá um impacto direto no orçamento das famílias e empresas gaúchas, elevando os custos de produção e consumo em um cenário de desafios econômicos. Para a RGE Sul, o reajuste é crucial para cobrir os custos operacionais com energia, transmissão e encargos, garantindo a sustentabilidade financeira da concessão e viabilizando investimentos necessários na rede e na qualidade do serviço.
Reajustes tarifários anuais com percentuais elevados não são um caso isolado no setor elétrico brasileiro. Nos últimos anos, diversas distribuidoras em todo o país registraram aumentos expressivos, impulsionados por fatores como a inflação (IPCA e IGP-M), os custos de geração de energia (PLD) e o crescimento dos encargos setoriais, que somaram cerca de R$ 30 bilhões no país em 2023.
Com a entrada em vigor do novo patamar tarifário em 19 de junho de 2026, a Aneel monitorará o desempenho da RGE Sul quanto à qualidade do serviço e aos investimentos. Em alguns anos, a distribuidora passará por um processo mais aprofundado: a Revisão Tarifária Periódica (RTP), que reavalia a base de ativos e a estrutura de custos da empresa de forma mais abrangente.
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Matéria produzida pela redação do Radar Energia a partir da fonte original. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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