Brasil lança desafio de R$ 150 milhões para desenvolver eletrolisador nacional de hidrogênio
O Brasil destinou R$ 150 milhões para um Desafio Tecnológico focado no desenvolvimento de um eletrolisador nacional, com o objetivo de produzir hidrogênio de baixa emissão de carbono e garantir soberania tecnológica no setor. A iniciativa visa posicionar o país como um polo de soluções para a transição energética global, aproveitando sua matriz elétrica predominantemente renovável.
O Brasil, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), lançou um Desafio Tecnológico de R$ 150 milhões. O objetivo é impulsionar a pesquisa e o desenvolvimento de um eletrolisador nacional, equipamento crucial para a produção de hidrogênio de baixa emissão de carbono. A iniciativa visa fomentar a inovação local, reduzir a dependência de tecnologia estrangeira e posicionar o país como um fornecedor global de soluções para a transição energética.
A iniciativa surge em meio à crescente demanda global por hidrogênio de baixa emissão, reconhecido como vetor fundamental para a descarbonização da indústria e do transporte. Com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo – cerca de 87% da eletricidade provém de fontes renováveis –, o Brasil detém um potencial competitivo singular para a produção de hidrogênio verde, utilizando eletricidade gerada por eólicas, solares ou hidrelétricas para dissociar a água.
Os R$ 150 milhões serão destinados a projetos capazes de conceber e prototipar eletrolisadores com capacidade de produção de hidrogênio em escala relevante, que atendam a critérios de eficiência, custo e durabilidade. A expectativa é que esse fomento crie um ecossistema de inovação, envolvendo instituições de pesquisa, universidades e o setor privado, e resulte na formação de uma cadeia de valor tecnológica no país.
A execução do Desafio Tecnológico ficará a cargo de agências de fomento como a FINEP ou o BNDES. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) atuará no apoio técnico e na divulgação da iniciativa, segundo informações obtidas. O setor privado, que engloba empresas de energia, gás e indústrias, é o principal beneficiário e potencial investidor na tecnologia desenvolvida pelo programa.
A iniciativa do MCTI complementa as diretrizes estabelecidas pelo Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), lançado em 2021 pelo Ministério de Minas e Energia (MME). O PNH2 traçou um plano ambicioso para o Brasil, com o objetivo de torná-lo um dos maiores produtores e exportadores de hidrogênio de baixa emissão do mundo até 2030, focando na descarbonização da indústria e na geração de valor agregado.
O desenvolvimento de um eletrolisador nacional pode impactar significativamente a economia brasileira. A redução na necessidade de importação de equipamentos caros diminuirá o custo de capital para projetos de hidrogênio, tornando a produção mais atrativa. Além disso, a iniciativa promete gerar empregos qualificados, fortalecer a cadeia de suprimentos local e posicionar o Brasil não apenas como exportador de hidrogênio, mas também de tecnologia essencial para a transição energética global.
Estudos apontam que o custo de produção de hidrogênio verde no Brasil pode ser um dos mais baixos globalmente, estimado entre US$ 1,5 e US$ 2,5 por quilo até 2030, a depender da fonte renovável e do custo de capital. A soberania tecnológica neste campo é fundamental para garantir a competitividade de longo prazo e a segurança energética, em um paralelo com o sucesso brasileiro no desenvolvimento do programa de etanol e dos motores flex-fuel.
Embora o Desafio Tecnológico represente um avanço crucial em pesquisa e desenvolvimento, o ambiente regulatório para o hidrogênio de baixa emissão no Brasil ainda não possui um marco legal consolidado. Projetos de lei como o PL 581/2023 e o PL 2308/2023 tramitam no Congresso Nacional, buscando estabelecer incentivos fiscais, linhas de financiamento e um sistema de certificação – elementos essenciais para a escalabilidade da produção e a atração de investimentos de grande porte.
Os próximos passos incluem a seleção dos projetos vencedores do desafio, seguida por um período de desenvolvimento e testes. A fase de escalonamento e industrialização, subsequente, demandará investimentos adicionais e será fortemente influenciada pela aprovação de um arcabouço regulatório robusto, que definirá o ambiente de negócios para a tecnologia desenvolvida no país.
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