Brasil mira liderança industrial com energia limpa, mas enfrenta gargalos
O Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, mas o desafio é transformar essa vantagem em liderança industrial e desenvolvimento econômico. Gargalos de infraestrutura e a necessidade de previsibilidade regulatória são os principais obstáculos para o país competir na nova economia verde.
Com uma matriz energética majoritariamente limpa, o Brasil busca converter essa vantagem em liderança industrial na nova economia verde. Superar gargalos de infraestrutura e garantir previsibilidade regulatória são passos cruciais para o país competir globalmente e atrair investimentos significativos, conforme amplamente discutido no setor.
A matriz elétrica brasileira já se destaca, com mais de 80% de fontes renováveis e forte presença hídrica. A recente e expressiva expansão das energias eólica e solar, que hoje representam mais de 25% da capacidade instalada total de 190 GW, somada ao crescente foco em hidrogênio verde e biocombustíveis avançados, exige uma estratégia que transcenda a mera geração. É fundamental integrar essa energia à cadeia produtiva industrial, um objetivo estratégico que o país tem buscado em diversos ciclos econômicos.
Para alcançar essa meta, o país precisa superar deficiências estruturais, como a expansão da rede de transmissão. Atualmente, essa infraestrutura limita o escoamento da energia gerada em regiões de alto potencial, como o Nordeste, para os centros consumidores e industriais. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima a necessidade de dezenas de bilhões de reais em investimentos na rede até 2032 para modernizar e expandir essa infraestrutura. Além disso, a previsibilidade regulatória é crucial para atrair os investimentos necessários, com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e o Ministério de Minas e Energia (MME) desempenhando papéis fundamentais no planejamento e na regulação do setor.
A superação desses obstáculos pode resultar em uma significativa redução nos custos de energia para o setor produtivo, elevando a competitividade de produtos brasileiros no mercado internacional descarbonizado. Esse cenário atrairia investimentos em indústrias de base, como fertilizantes e aço verdes, insumos para baterias e outros setores de alto valor agregado. Consequentemente, haveria a geração de empregos qualificados, o fortalecimento da meta de descarbonização da economia nacional e a potencialização da exportação de energia e produtos verdes.
O governo federal tem sinalizado ações concretas nessa direção, com a previsão de novos leilões de transmissão e a inclusão de projetos de infraestrutura energética no Novo PAC. No Congresso Nacional, a tramitação do Projeto de Lei do Hidrogênio Verde (PL 2.308/2023) é considerada um marco crucial. Sua aprovação visa estabelecer um arcabouço legal que destrave investimentos bilionários e posicione o Brasil como um ator relevante na produção e exportação de hidrogênio verde.
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