Brasil precisa fortalecer indústria para consolidar mercado de hidrogênio verde, diz especialista
O Brasil tem uma janela de oportunidade para se firmar como líder global na produção de hidrogênio verde. Contudo, a consolidação desse mercado exige o fortalecimento de sua base industrial, conforme avaliou um especialista do setor elétrico em 18 de junho de 2026. A abundância de recursos renováveis confere ao país uma vantagem competitiva, que precisa ser capitalizada com políticas de fomento e um marco regulatório claro.
O Brasil tem uma oportunidade de mercado para se consolidar como um dos líderes globais na produção de hidrogênio verde (H2V). Para capitalizar esse potencial, contudo, o país precisa fortalecer sua indústria. Essa avaliação, feita por um especialista do setor elétrico em 18 de junho de 2026, destaca a necessidade de infraestrutura e expertise local para transformar o potencial em realidade econômica.
O interesse no hidrogênio verde no Brasil se intensificou a partir de 2020, impulsionado pela agenda global de descarbonização e pela percepção do vasto potencial do país. Em 2021, o Ministério de Minas e Energia (MME) lançou o Plano Nacional de Hidrogênio (PNH2), que delineia as diretrizes para o desenvolvimento da cadeia de valor do H2V. O plano ambiciona posicionar o Brasil como um exportador relevante de hidrogênio de baixo carbono, aproveitando sua matriz energética predominantemente renovável.
A vantagem competitiva do Brasil reside em sua matriz elétrica, uma das mais limpas do mundo, com mais de 80% da energia proveniente de fontes renováveis como hidrelétrica, eólica e solar. Essa abundância permite a produção de H2V a custos potencialmente baixos. Estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam que o país pode atingir uma capacidade de produção de até 10 milhões de toneladas de H2V por ano até 2030, com investimentos projetados na casa dos bilhões de dólares.
Diversos atores estão engajados nesse avanço. O MME e a EPE são fundamentais na formulação de políticas e estudos. Estados como Ceará, Pernambuco (com o Porto de Suape) e Bahia têm liderado a atração de investimentos, assinando memorandos de entendimento com empresas como Fortescue, AES Brasil, White Martins e Comerc Energia para a instalação de plantas de produção em seus portos. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) também terá um papel crucial na regulação da conexão e tarifação da energia para eletrólise.
Contudo, a ausência de um marco regulatório específico para o hidrogênio verde ainda gera insegurança jurídica e dificulta a atração de investimentos de grande porte. Projetos de lei, como o PL 2308/2023 e o PL 581/2023, tramitam no Congresso Nacional. Eles buscam definir o H2V, estabelecer incentivos fiscais e creditícios, e criar um arcabouço legal para sua produção, transporte e comercialização. A aprovação dessas propostas é vista como um passo fundamental para destravar o setor e atrair capital.
O fortalecimento da indústria de hidrogênio verde pode ter impactos profundos na economia e na transição energética brasileira. Espera-se a descarbonização de setores industriais intensivos em energia, como siderurgia e fertilizantes, e a criação de um novo vetor de exportação de energia limpa, gerando divisas e empregos qualificados. Além disso, o H2V pode contribuir para a segurança energética nacional, oferecendo uma alternativa para o armazenamento de energia e flexibilidade ao sistema elétrico.
Em comparação com outros países, o Brasil se destaca pelo seu imenso potencial de geração de energia renovável a baixo custo, o que o diferencia de nações como a Alemanha, que planeja ser uma grande importadora de H2V. Embora países como Austrália e Chile sejam fortes competidores na produção, o Brasil possui a vantagem de uma matriz elétrica já consolidada e diversificada, além de uma localização geográfica estratégica para exportação, somada à experiência em grandes projetos de infraestrutura de energia renovável.
Para que o Brasil cumpra a meta da EPE e se consolide como um líder global, os próximos passos cruciais incluem a aprovação e regulamentação do marco legal no Congresso Nacional, esperada para os próximos anos, o que trará clareza e segurança para os investidores. A realização de leilões específicos para a produção de H2V ou a criação de mecanismos de incentivo diretos também podem acelerar a implantação de projetos e a formação de parcerias internacionais.
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