CMSE assegura suprimento em 2026 com reservatórios cheios e mantém operação conservadora
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) confirmou a garantia de atendimento eletroenergético para 2026, amparado por reservatórios em níveis elevados ao final de junho de 2026 e pela manutenção do parâmetro de aversão ao risco CVaR 15/40. A decisão, reiterada em reunião nesta quarta-feira (1º de julho), ocorre mesmo com a previsão de um El Niño forte no segundo semestre e a persistência da bandeira tarifária amarela para julho.
O Sistema Interligado Nacional (SIN) tem seu suprimento de energia elétrica assegurado para 2026, conforme avaliação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) em sua 320ª reunião ordinária, realizada nesta quarta-feira (1º de julho). A garantia se baseia nos níveis satisfatórios dos reservatórios ao final de junho de 2026, impulsionados pela melhora das condições hidrometeorológicas na Região Sul, especialmente na bacia do rio Iguaçu, e pela manutenção da estratégia de operação conservadora.
Ao encerrar junho de 2026, o armazenamento equivalente do SIN alcançou aproximadamente 71%, com os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul registrando 66% e 63%, respectivamente. Nordeste e Norte apresentaram níveis ainda mais confortáveis, com 89% e 95%. Apesar dos volumes robustos, a Energia Natural Afluente (ENA) em junho ficou abaixo da Média de Longo Termo (MLT) em todos os subsistemas, atingindo 82% da MLT no total do SIN, o que reforça a necessidade de gestão cautelosa.
Apesar das frentes frias e massas de ar frio que favoreceram chuvas e temperaturas abaixo da média no Sul, Sudeste e Centro-Oeste em junho de 2026, com bacias como Iguaçu, Tietê, Grande e Paranaíba superando a média de precipitação, o cenário para o segundo semestre de 2026 aponta para uma elevada probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, com projeções indicando intensidade forte ou muito forte, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Diante da perspectiva de um El Niño e de cenários de maior demanda, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prevê a utilização complementar de usinas termelétricas, aliada à operação otimizada das hidrelétricas do rio São Francisco e ao uso estratégico do reservatório da UHE Itaipu. A geração térmica demonstra o papel estratégico desses ativos no balanço energético.
A operação do SIN para 2026 e 2027 segue sob o parâmetro de aversão ao risco CVaR 15/40, adotado desde janeiro de 2025 e mantido em decisões anteriores do CMSE. Este critério atribui peso de 40% aos 15% piores cenários hidrológicos, resultando em uma gestão mais conservadora do sistema. Tal estratégia, embora crucial para a segurança do suprimento, tende a sustentar preços de energia mais elevados no Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), impactando comercializadores e consumidores do mercado livre.
No mercado de curto prazo, o PLD médio para o Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Norte está em R$ 120,21/MWh, enquanto no Nordeste é de R$ 120,20/MWh. A manutenção da bandeira tarifária amarela para julho de 2026, determinada pela Aneel devido ao acionamento de térmicas, já representa um acréscimo de R$ 1,885 a cada cem quilowatts-hora consumidos para os consumidores cativos, evidenciando os custos da segurança energética.
A infraestrutura do setor continua em expansão, com a entrada em operação comercial de 184,5 MW de capacidade instalada de geração centralizada em junho de 2026, com destaque para o Complexo Fotovoltaico Lagoinha (165 MW) no Ceará. No segmento de transmissão, foram adicionados 1.012 km de linhas, incluindo as linhas de 500 kV Xingó - Camaçari II C1 e C2, que somam 714 km, e Presidente Juscelino - Vespasiano 2, C1 e C2, com 298 km.
No monitoramento da comercialização, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) informou que a liquidação financeira do Mercado de Curto Prazo (MCP) referente a maio de 2026 totalizou R$ 3,07 bilhões. Desse montante, R$ 2,64 bilhões foram liquidados, com R$ 414,81 milhões creditados à Conta de Energia de Reserva (CONER), enquanto R$ 424,40 milhões permaneceram inadimplidos.
Ainda sobre o balanço energético, o Brasil exportou energia termelétrica em maio e junho de 2026. Em maio, foram 754 MWmédios (561 GWh), com 98% para a Argentina e 2% para o Uruguai. Em junho, o volume subiu para 1.169,5 MWmédios (814 GWh), com 85% destinados à Argentina e 15% ao Uruguai. Não houve importação comercial nos dois meses, reforçando a capacidade de suprimento nacional.
O ONS apresentou na reunião o Plano da Operação Energética (PEN) para o horizonte 2027 a 2030, cujos resultados detalhados serão divulgados em 7 de julho de 2026 no Portal do PEN, com relatórios finais previstos para 31 de julho de 2026. O CMSE reafirmou seu compromisso de monitorar permanentemente as condições de abastecimento, adotando as medidas necessárias para a garantia do suprimento de energia elétrica do país.
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