Custos da energia solar com baterias caem 46% em cinco anos, aponta IRENA
O custo de projetos de energia solar fotovoltaica combinados com sistemas de armazenamento em baterias recuou, em média, 46% nos últimos cinco anos, segundo dados da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA). A queda expressiva torna a tecnologia cada vez mais competitiva e crucial para a flexibilidade e estabilidade das redes elétricas globais, impulsionando a transição energética.
O custo nivelado da energia (LCOE) para projetos solares fotovoltaicos que integram sistemas de armazenamento em baterias caiu, em média, 46% nos últimos cinco anos. A Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA), um think tank global de referência no setor, aponta que essa queda acentuada é um marco para a competitividade das fontes renováveis e a flexibilidade das matrizes elétricas.
A busca por soluções de armazenamento é intensificada pela crescente demanda por descarbonização e pela intermitência de fontes como a solar e a eólica. O alto custo inicial das baterias representava um entrave significativo, mas avanços tecnológicos e as economias de escala, especialmente na fabricação de íons de lítio, impulsionaram a queda de preços, viabilizando projetos em larga escala.
Essa combinação de solar com armazenamento permite o despacho de energia mesmo após o pôr do sol ou em períodos de baixa irradiação, mitigando a volatilidade e a necessidade de acionar termelétricas fósseis. A IRENA monitora de perto essa evolução, ressaltando o papel fundamental do armazenamento para a resiliência da rede e a integração de volumes cada vez maiores de geração renovável.
No Brasil, o setor solar demonstra grande vigor, com a capacidade instalada, em 2024, ultrapassando 40 GW, sendo aproximadamente 28 GW em geração distribuída e 12 GW em geração centralizada. Contudo, a regulamentação para o armazenamento de energia em larga escala ainda está em fase inicial, sem um arcabouço específico que defina sua remuneração como ativo independente no setor elétrico nacional.
Para a geração distribuída, a Resolução Normativa ANEEL nº 1.059/2023, que atualizou a anterior 482/2012, permite a inclusão de baterias nos sistemas. No entanto, o modelo de negócios para sistemas híbridos de maior porte ainda carece de clareza e de incentivos mais robustos para sua massificação. O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) do Ministério de Minas e Energia (MME) sinaliza a necessidade de armazenamento, mas sem o detalhamento regulatório específico para grandes projetos.
A queda dos custos pode impactar diretamente a volatilidade dos preços de energia no mercado de curto prazo, como o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), ao permitir um gerenciamento mais eficiente da oferta. Isso deve impulsionar a migração de grandes consumidores para o mercado livre, oferecer maior segurança energética para indústrias e residências, além de atrair investimentos significativos em infraestrutura de armazenamento, com fabricantes como Tesla, BYD e LG Chem figurando entre os principais atores.
Países como a Austrália e o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, são exemplos de sucesso na integração de solar com armazenamento. Projetos de grande escala, como a Hornsdale Power Reserve na Austrália, demonstraram a viabilidade técnica e econômica da solução, estabilizando a rede, reduzindo picos de demanda e evitando investimentos caros em infraestrutura de transmissão. Esses exemplos servem de modelo para o Brasil.
A maior penetração de sistemas híbridos solar-bateria é crucial para acelerar a transição energética brasileira e reduzir a dependência de termelétricas fósseis. A competitividade crescente da tecnologia abre caminho para um futuro energético mais limpo, seguro e economicamente eficiente, redefinindo a produção, o armazenamento e o consumo de energia no país.
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