EPE lança base integrada de dados de geração e transmissão para análises mais precisas
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançou uma nova base de dados integrada para geração e transmissão, com o objetivo de aprimorar as análises sobre cortes forçados de energia e a precificação de perdas no setor elétrico. A ferramenta promete maior precisão no planejamento e na operação de um sistema complexo, que soma mais de 190 GW de capacidade instalada e 180 mil km de linhas de transmissão.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançou uma nova base de dados integrada de geração e transmissão, uma ferramenta destinada a oferecer análises mais precisas para desafios complexos do setor elétrico, como os cortes forçados de energia e a precificação de perdas. A iniciativa, um pleito antigo do mercado, visa aprimorar o planejamento e a operação de um sistema elétrico de grande porte, que conta com mais de 190 GW de capacidade instalada de geração e 180 mil km de linhas de transmissão.
A criação da plataforma atende a uma demanda histórica por maior integração e consistência de informações no setor. Anteriormente, a fragmentação de dados entre diferentes agentes e a coleta manual dificultavam análises preditivas precisas, especialmente diante da expansão acelerada e da crescente diversificação da matriz energética brasileira, que exigem um planejamento cada vez mais dinâmico.
Com a nova base, a EPE espera aprimorar os estudos sobre o *curtailment* — os cortes forçados de energia, muitas vezes de fontes renováveis, por restrições na rede — e refinar a metodologia de precificação das perdas técnicas e não técnicas. Esses volumes representam um impacto significativo na segurança do suprimento e nos custos para o consumidor, podendo somar bilhões de reais anualmente, a depender da metodologia de cálculo e do cenário.
Desenvolvida e gerida pela EPE, vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), a ferramenta terá como usuários primários o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Esses órgãos poderão usar os dados para aprimorar o planejamento da operação, a regulação e a formulação de políticas, enquanto investidores e agentes de mercado terão acesso a informações mais transparentes e consistentes para suas decisões de investimento e operação.
A necessidade de ferramentas robustas de dados está alinhada à missão da EPE, estabelecida pela Lei nº 10.844/2004, de subsidiar o planejamento energético nacional. A ANEEL, por sua vez, depende de dados precisos para aplicar resoluções como a REN nº 957/2021, que trata da revisão tarifária periódica das transmissoras, e a REN nº 920/2021, sobre a qualidade do serviço de transmissão, ambas diretamente impactadas pela performance e confiabilidade da infraestrutura.
A base integrada promete um impacto significativo na eficiência do planejamento e na potencial redução de custos do setor. Análises mais apuradas sobre *curtailment* e perdas podem resultar na otimização do despacho de geração e do uso da transmissão, diminuindo encargos setoriais e, em última instância, a tarifa de energia para o consumidor final. A maior transparência e consistência dos dados também devem atrair investimentos mais assertivos, mitigando riscos e incertezas.
Para que a ferramenta atinja seu potencial máximo, a EPE deverá focar na disseminação e na integração da base com os sistemas já utilizados por ONS e ANEEL. A agenda inclui a realização de workshops e treinamentos para os usuários, além de possíveis consultas públicas para o aprimoramento contínuo da metodologia, visando consolidar a base como um pilar fundamental dos estudos de Planejamento da Expansão da Geração e Transmissão (PDE e PNE).
A iniciativa coloca o Brasil em linha com mercados elétricos mais maduros, como os da Europa e Estados Unidos, onde a integração de dados de geração e transmissão é uma prática consolidada. Plataformas como a ENTSO-E Transparency Platform na Europa, que agrega dados em tempo real, servem de referência para a ambição brasileira de ter uma base de dados mais robusta e unificada, essencial para a eficiência e segurança energética do país.
Fonte
Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de Estadão. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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