MME alerta: mistura de biodiesel a 16% é inviável sem testes obrigatórios
A área técnica do Ministério de Minas e Energia (MME) informou que o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil para 16% (B16) não é tecnicamente viável no curto ou médio prazo. A decisão, que frustra as expectativas do setor, é atribuída à ausência de testes de desempenho e durabilidade que comprovem a segurança do combustível com esse teor em motores e veículos.
A área técnica do Ministério de Minas e Energia (MME) alertou que o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil para 16% (B16) é tecnicamente inviável no curto ou médio prazo. A decisão se fundamenta na ausência de testes obrigatórios que comprovem a segurança e o desempenho do combustível com esse teor, conforme exigido por reguladores e montadoras, apurou o Radar Energia.
A posição do MME frustra a expectativa de avanço no percentual de biodiesel, atualmente em 12% (B12). Pelo cronograma original da Lei nº 13.263/2016, o patamar de B15 deveria ter sido alcançado até 2023. A Resolução CNPE nº 16/2018, do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), detalhava essa trajetória, prevendo elevações graduais que foram ajustadas diversas vezes devido a fatores como oferta, preço e, agora, a necessidade de validação técnica.
Os testes mencionados são cruciais para garantir que uma mistura mais elevada de biodiesel não comprometa o funcionamento dos motores e a durabilidade dos veículos, especialmente os de grande porte, que consomem a maior parte do diesel no país. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) é o órgão responsável por estabelecer as especificações técnicas e coordenar esses estudos, em conjunto com as montadoras e a indústria de combustíveis.
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) é o órgão máximo responsável por definir os percentuais da mistura obrigatória e o cronograma de implementação, com base em pareceres técnicos do MME e da ANP. A manutenção do B12, em vez do avanço para o B16, impacta diretamente produtores de biodiesel, representados pela Associação Brasileira de Produtores de Biodiesel (ABRAPAR), e distribuidoras de combustíveis, como a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (BRASILCOM), que aguardam uma definição clara para seus planejamentos de investimento e logística.
A trajetória de elevação da mistura de biodiesel no Brasil, iniciada em 2% em 2008, tem sido marcada por avanços e pausas. Embora a Lei nº 13.263/2016 tenha estabelecido um cronograma ambicioso, a progressão foi ajustada em diversos momentos, como ocorreu em 2021 e 2022, quando o percentual de B12 foi mantido por períodos mais longos devido a questões de mercado e, agora, de adequação técnica.
Embora a capacidade instalada de produção de biodiesel no país seja superior a 12 bilhões de litros por ano, superando a demanda atual de 7 a 8,4 bilhões de litros anuais para o B12, a questão técnica se apresenta como um gargalo. Isso evidencia que a oferta de matéria-prima, como a soja, principal fonte do biodiesel brasileiro, e a capacidade industrial não são o problema imediato, mas sim a validação técnica da mistura em campo.
A paralisação no avanço do percentual de biodiesel implica uma menor contribuição para as metas de descarbonização estabelecidas pelo programa RenovaBio, que incentiva o aumento da participação de biocombustíveis na matriz energética. Além disso, a não elevação do B16 frustra expectativas de investimentos no setor e pode reduzir a demanda por matérias-primas agrícolas. Contudo, essa decisão pode evitar um potencial aumento de preço do diesel ao consumidor final, já que o biodiesel historicamente tem um custo de produção mais elevado.
Para que a mistura de B16 seja viabilizada no futuro, a realização e validação dos testes de desempenho e durabilidade em motores e veículos são etapas inegociáveis. Após a conclusão e aprovação desses estudos, o MME e a ANP precisarão apresentar pareceres técnicos ao CNPE, que então deliberará sobre um novo percentual e cronograma de implementação. Consultas e audiências públicas também deverão ser realizadas para coletar subsídios de todos os elos da cadeia antes de uma decisão final.
Fonte
Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de Jornaldocomercio. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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