Ônibus elétricos ganham força como usinas virtuais nos EUA em 2026
Empresas de serviços públicos e distritos escolares nos Estados Unidos estão cada vez mais reconhecendo o potencial dos ônibus elétricos para atuar como usinas virtuais de energia (VPPs), ajudando a aliviar o congestionamento da rede e gerando receita por meio de programas de resposta à demanda, marcando 2026 como um ponto de inflexão para a tecnologia V2G.
O mercado de Vehicle-to-Grid (V2G) nos Estados Unidos atinge um ponto de inflexão em 2026, com a transição de projetos-piloto para uma implementação em larga escala, impulsionado pela crescente valorização dos ônibus elétricos como Usinas Virtuais de Energia (VPPs) por utilities e distritos escolares. A tecnologia, que permite que as baterias dos veículos forneçam energia à rede, é vista como uma solução para aliviar o congestionamento e gerar receita, conforme aponta análise da Utilitydive.
A capacidade V2G de ônibus escolares nos EUA deve alcançar 100 MW até o final de 2026, partindo de 8 MWh atualmente fornecidos por cerca de 230 veículos. Esse avanço se alinha com a expansão do setor de armazenamento de energia no país, que registrou um recorde de 20,2 GWh de nova capacidade no segundo trimestre de 2026, totalizando 30,8 GWh no semestre, conforme dados da Solar Energy Industries Association (SEIA) e Benchmark Mineral Intelligence. O mercado de tecnologia V2G, avaliado em US$ 1,85 bilhão em 2025 e projetado em US$ 2,45 bilhões para 2026, projeta um crescimento para US$ 30,84 bilhões até 2035, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 32,49%.
A materialização do V2G é sustentada por um arcabouço regulatório e financeiro favorável. Programas federais como a Lei de Infraestrutura Bipartidária e o Programa de Ônibus Escolares Limpos da EPA destinam US$ 5 bilhões cada, de 2022 a 2026, para infraestrutura de EVs e frotas limpas. Adicionalmente, o Departamento de Energia dos EUA (DOE) concedeu US$ 10,9 milhões em outubro de 2024 para acelerar a adoção do V2G. No âmbito regulatório, a Ordem 2222 da Federal Energy Regulatory Commission (FERC) é crucial para a agregação de Recursos Energéticos Distribuídos (DERs), enquanto Maryland aprovou legislação V2G em abril de 2024, estabelecendo um precedente.
Apesar do potencial, a principal barreira para a escalabilidade do V2G reside na imaturidade dos modelos de remuneração, que geram incerteza sobre a previsibilidade de receitas e a atratividade de investimentos privados para operadores de frotas. Além disso, uma legislação aprovada pela Câmara dos Representantes em 16 ou 17 de setembro de 2026, conhecida como "Ratepayer Protection Act", que visa fazer com que os data centers arquem com mais de seus custos de eletricidade e proteger os consumidores residenciais de aumentos de custos associados à expansão de data centers, pode indiretamente influenciar a alocação de custos e benefícios de novas infraestruturas de rede, incluindo as necessárias para a expansão do V2G. A medida agora segue para o Senado.
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