ONS projeta afluências acima de 80% da MLT no Sul e Sudeste/Centro-Oeste
As projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicam que as afluências nas regiões Sul e Sudeste/Centro-Oeste devem superar 80% da Média de Longo Termo (MLT) até o fim do mês. Esse cenário de recuperação hídrica sinaliza condições hidrológicas favoráveis para o sistema elétrico brasileiro, com impacto positivo no Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) e, consequentemente, nas tarifas de energia para os consumidores finais.
As projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicam afluências nas regiões Sul e Sudeste/Centro-Oeste acima de 80% da Média de Longo Termo (MLT) até o final do mês. Esse cenário aponta para condições hidrológicas favoráveis à operação do sistema elétrico e sinaliza uma robusta recuperação dos recursos hídricos, essencial para a matriz energética brasileira, predominantemente hidrelétrica.
A Média de Longo Termo (MLT) é um parâmetro hidrológico de referência calculado pelo ONS, que representa a média histórica das vazões naturais de uma bacia. A superação de 80% desse valor indica que as bacias dessas regiões, onde se concentra a maior parte da capacidade hidrelétrica do país, estão recebendo volumes de água significativos, o que alivia a pressão sobre os reservatórios.
O cenário atual contrasta fortemente com a crise hídrica de 2021, quando as afluências no Sudeste/Centro-Oeste atingiram patamares historicamente baixos. Naquela ocasião, foi necessário o acionamento massivo de termelétricas, elevando os custos de energia. Em 2021, os reservatórios do Sudeste chegaram a operar abaixo de 20% de sua capacidade, enquanto hoje se aproximam de níveis mais confortáveis, impulsionados por hidrologias favoráveis em 2022 e 2023.
As regiões Sudeste/Centro-Oeste e Sul são cruciais para a segurança energética do Brasil, pois abrigam a maior parte das usinas hidrelétricas, que respondem por cerca de 60% da matriz elétrica nacional. O subsistema Sudeste/Centro-Oeste, por exemplo, possui uma capacidade de armazenamento de aproximadamente 70% do total do país, tornando sua hidrologia um fator determinante para a estabilidade do suprimento.
O ONS, responsável por realizar as projeções hidrológicas e gerenciar a operação do sistema interligado, garante o suprimento a partir desses dados. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) utiliza as projeções de afluências como um dos principais insumos para o cálculo do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que baliza as transações no mercado de curto prazo e influencia diretamente geradores e comercializadores.
A metodologia de cálculo do PLD, definida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e operada pela CCEE, incorpora essas projeções em modelos computacionais como o NEWAVE e o DECOMP, que determinam o custo marginal de operação do sistema. A Lei nº 9.648/98 estabeleceu a criação do ONS e sua função de planejar e coordenar a operação, consolidando a base regulatória para esse monitoramento contínuo.
A expectativa de afluências elevadas tende a pressionar o PLD para baixo, beneficiando os consumidores do mercado livre e reduzindo os custos de compra de energia para as distribuidoras no mercado regulado. Esse cenário pode se traduzir em tarifas de energia mais estáveis ou até mesmo em reduções para o consumidor final, além de diminuir a necessidade de despachar termelétricas mais caras e poluentes, impactando positivamente a pegada de carbono do setor.
A maior segurança hídrica também reduz significativamente o risco de acionamento de bandeiras tarifárias mais caras, como a amarela ou vermelha, instituídas pela ANEEL para refletir os custos adicionais de geração. A manutenção de afluências favoráveis pode consolidar a bandeira verde, que indica as melhores condições de custo de geração.
O ONS continuará monitorando e divulgando semanalmente seus boletins de operação, com atualizações das projeções de afluências e dos níveis dos reservatórios. Esses dados servirão de base para as decisões de despacho e para os cálculos do PLD pela CCEE nas próximas semanas, influenciando a programação de manutenções em usinas termelétricas e a necessidade de contratação de energia em futuros leilões.
Fonte
Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de ONS. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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