Petrobras e Finep lançam edital de R$ 150 milhões para eletrolisador de hidrogênio nacional
A Petrobras e a Finep destinaram R$ 150 milhões para um edital que visa desenvolver um eletrolisador industrial nacional, capaz de converter água em hidrogênio de baixa emissão de carbono. A iniciativa busca reduzir a dependência tecnológica do país e impulsionar a cadeia produtiva do hidrogênio de baixo carbono, alinhada à estratégia de descarbonização da estatal.
A Petrobras e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram um edital de R$ 150 milhões para fomentar o desenvolvimento de um eletrolisador industrial nacional, equipamento essencial para a produção de hidrogênio de baixa emissão de carbono a partir da eletrólise da água. A iniciativa visa acelerar a pesquisa, prototipagem e testes de tecnologias brasileiras, reduzindo a dependência atual de equipamentos importados neste setor estratégico.
A iniciativa se alinha diretamente à estratégia de descarbonização da Petrobras e à diversificação de seu portfólio, conforme seu Plano Estratégico 2024-2028. A estatal, que já opera projetos-piloto de hidrogênio verde em refinarias como a Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão, busca otimizar seus processos e reduzir emissões operacionais, consolidando o hidrogênio de baixo carbono como uma rota energética viável.
Os recursos do edital serão direcionados para propostas que contemplem o ciclo completo de desenvolvimento de eletrolisadores em escala industrial. Isso inclui desde a pesquisa básica e aplicada até a validação em ambiente relevante, visando um produto final robusto e competitivo para atender à crescente demanda por hidrogênio de baixo carbono em diversos setores da economia.
A Petrobras, como um dos maiores consumidores de hidrogênio (cinza) em suas operações de refino, é um ator central na demanda e no desenvolvimento tecnológico. A Finep, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), atua como a principal agência de fomento à inovação no país, articulando e financiando projetos estratégicos em parceria com universidades, centros de pesquisa e empresas de base tecnológica, que atuarão como executores diretos dos projetos selecionados.
O edital se insere no contexto mais amplo do Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), lançado em 2021 pelo Ministério de Minas e Energia (MME), com o objetivo de posicionar o Brasil como produtor e exportador global de hidrogênio de baixo carbono. Paralelamente, o Congresso Nacional discute projetos de lei, como o PL 2.308/2023, que busca criar um marco legal para a produção, transporte e comercialização de hidrogênio, aspecto crucial para a escalabilidade e viabilidade comercial das futuras tecnologias.
O Brasil possui um imenso potencial para a produção de hidrogênio verde, impulsionado por sua matriz elétrica majoritariamente renovável, com mais de 80% provenientes de fontes limpas. No entanto, a capacidade instalada de eletrolisadores no país ainda é incipiente e quase totalmente dependente de tecnologia importada. O edital busca mitigar essa dependência, fortalecendo a soberania tecnológica nacional.
O desenvolvimento de eletrolisadores industriais no Brasil pode reduzir significativamente a dependência externa, reduzir o custo da produção de hidrogênio de baixo carbono e impulsionar a indústria local. Isso terá um impacto direto na descarbonização de setores intensivos em energia, como a produção de fertilizantes, a siderurgia e o refino, além de posicionar o país como um player relevante na cadeia global de hidrogênio, atraindo investimentos e gerando empregos de alta qualificação.
Após o lançamento do edital, empresas e instituições de pesquisa terão um prazo para submeter suas propostas, que serão avaliadas por um comitê técnico especializado. Os projetos selecionados deverão ter um cronograma de desenvolvimento com duração prevista de dois a cinco anos, com fases bem definidas de pesquisa, prototipagem e testes em escala relevante, enquanto o MME e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) monitoram o avanço do setor.
Fonte
Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de Xpi. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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