Resposta da Demanda contrata 344 MW com deságio de 49,23% no terceiro mecanismo
O terceiro Mecanismo Competitivo de Resposta da Demanda, conduzido pelo ONS, contratou 344 MW de redução de demanda com um deságio médio de 49,23%. A ABRACE Energia destaca o resultado histórico, reforçando o potencial do mecanismo para ampliar a segurança e a flexibilidade do sistema elétrico com menor custo, especialmente em horários de pico.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) contratou 344 MW de redução de demanda no terceiro Mecanismo Competitivo de Resposta da Demanda, com um deságio médio de 49,23% em relação ao preço-teto. O certame, realizado nesta quarta-feira (15), distribuiu o volume entre 12 ofertas vencedoras, com o maior desconto atingindo 57,5%, segundo informou a ABRACE Energia. A associação avalia o resultado como histórico, consolidando a Resposta da Demanda como um instrumento eficaz para a segurança do sistema elétrico.
O volume contratado representa um avanço significativo, com um aumento de aproximadamente 50% em relação aos 229 MW negociados no segundo mecanismo, em 2025, e mais que o triplo dos 93 MW de 2024. Os contratos, que terão validade de 1º de setembro a 31 de dezembro de 2026, com assinatura prevista até 31 de julho, operam em fase experimental sob um "sandbox" regulatório autorizado pela Resolução Autorizativa ANEEL nº 12.600/2022. A ABRACE Energia ressalta que o desempenho reforça a importância de mecanismos permanentes de Resposta da Demanda, ampliando a participação ativa dos consumidores na operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).
A modalidade de contratação por disponibilidade remunera os participantes com uma receita fixa mensal pela capacidade ofertada, paga pela CCEE via Encargos de Serviços de Sistema (ESS). Esse mecanismo transforma a redução voluntária da carga em um recurso equivalente à oferta adicional de geração, atuando diretamente nos horários de pico (entre 18h e 22h em dias úteis) e contribuindo para a modicidade tarifária ao mitigar a necessidade de acionamento de usinas termelétricas mais caras. A maior parte do volume contratado, 61%, concentrou-se no Sudeste/Centro-Oeste, seguido por Nordeste (35%) e Sul (4%), com a indústria metalúrgica respondendo por 86% das ofertas. O PLD médio no Sudeste/Centro-Oeste está em R$ 117,9/MWh e no Nordeste em R$ 117,89/MWh atualmente.
O crescimento contínuo do volume e o expressivo deságio demonstram a crescente maturidade e competitividade do mecanismo, estabelecendo um precedente robusto para a expansão da Resposta da Demanda no Brasil. Para o setor, a monetização da flexibilidade operacional se traduz em nova fonte de receita para os consumidores participantes, enquanto o sistema elétrico ganha em segurança e flexibilidade a um custo mais baixo. A transição para o programa estrutural de Resposta da Demanda, instituído pela RN ANEEL nº 1.040/2022, será um ponto crucial a ser observado, assim como a diversificação da participação setorial e geográfica.
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