Restrição de 1.732 MW de renováveis marca operação do SIN em dia de alta carga
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou uma carga de 81.580 MWméd no Sistema Interligado Nacional (SIN) em 16 de junho de 2026. Esse patamar elevado evidenciou a crescente participação de fontes renováveis na matriz, mas também um gargalo de 1.732 MW na geração eólica e solar no submercado Sudeste/Centro-Oeste. A restrição, imposta por controle de fluxo sistêmico, ocorreu mesmo com os reservatórios em níveis confortáveis, apontando para desafios na infraestrutura de transmissão.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que a carga global do Sistema Interligado Nacional (SIN) alcançou 81.580 MWméd em 16 de junho de 2026. Esse volume, que indica uma demanda robusta ou um pico sazonal, superou a média anual de aproximadamente 70.000 MWméd observada em 2023. O Informativo Preliminar Diário da Operação do ONS destacou a crescente participação de fontes renováveis na matriz, mas também apontou uma restrição de 1.732 MW na geração eólica e solar no submercado Sudeste/Centro-Oeste.
A composição da geração no dia revelou a evolução da matriz energética brasileira: a hidráulica respondeu por 56% do total, seguida por eólica (17%), térmica (13%), solar (12%) e nuclear (2%). Essa distribuição, com quase 30% da energia proveniente de fontes eólica e solar, ilustra a transformação estrutural do SIN, que historicamente dependia majoritariamente da fonte hidrelétrica e agora se depara com o desafio de integrar a intermitência dessas novas fontes.
Os níveis dos reservatórios do SIN estavam em uma situação hídrica favorável para o período, com a Energia Armazenada (EAR) do sistema como um todo em 71,3%. O subsistema Norte registrou o maior percentual, com 96,5%, seguido pelo Nordeste (91,2%), Sudeste/Centro-Oeste (65,8%) e Sul (56,8%). Esses níveis contrastam com períodos de estresse hídrico recentes e conferem maior segurança energética ao país.
Apesar da boa condição dos reservatórios, a operação do dia foi marcada por ajustes em diversos submercados. No Sul, a geração hidráulica superou o programado para compensar uma carga mais alta e a menor geração térmica e eólica. No Sudeste/Centro-Oeste, situação similar se repetiu: a geração hidrelétrica e a produção de Itaipu foram despachadas acima do previsto devido à carga superior e à menor geração térmica e solar fotovoltaica. Já no Nordeste, a geração hidráulica também foi acionada além do programado para compensar a geração eólica abaixo do esperado.
O ponto de maior atenção, contudo, foi a restrição de 1.732 MW de geração renovável no Submercado Sudeste/Centro-Oeste. Segundo o ONS, essa limitação foi resultado de um “controle de fluxo sistêmico”, um mecanismo previsto nos Procedimentos de Rede do Operador, aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), para garantir a segurança e estabilidade da rede elétrica nacional. Esse evento sinaliza um gargalo na infraestrutura de transmissão, que impede o pleno escoamento da energia renovável gerada.
A ocorrência dessas restrições de fluxo tem implicações diretas para o mercado. Ao não conseguir escoar toda a energia renovável disponível, o sistema pode ser obrigado a despachar usinas térmicas mais caras para compensar a oferta perdida. Isso impacta o Custo Marginal de Operação (CMO) e, consequentemente, os preços no mercado livre e, por fim, a tarifa dos consumidores do mercado cativo. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) utiliza esses dados para a liquidação financeira, afetando geradores. Por exemplo, as usinas termelétricas (UTEs) Parnaíba V e J. Lacerda A também enfrentaram restrições no intercâmbio com a Argentina, adicionando complexidade ao cenário operacional.
A gestão de restrições de geração renovável é um desafio que se intensifica com a expansão dessas fontes, similar a cenários observados em países como Alemanha e Califórnia (EUA). Nessas regiões, o 'curtailment' (corte de geração) é frequentemente imposto quando a produção excede a capacidade de escoamento ou a demanda. No Brasil, essa situação sublinha a urgência dos leilões de transmissão promovidos pela ANEEL, essenciais para expandir e reforçar a rede elétrica e acomodar a crescente geração eólica e solar.
O planejamento de longo prazo do setor, materializado no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) do Ministério de Minas e Energia (MME), deve considerar a necessidade de investimentos contínuos para mitigar futuros gargalos. A integração eficiente das fontes intermitentes exige não apenas novas linhas de transmissão, mas também soluções para flexibilidade operacional, como sistemas de armazenamento e tecnologias de gerenciamento de rede, garantindo que o potencial renovável do país seja plenamente aproveitado.
Fonte
Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de ONS. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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