Sabesp demite funcionários e cria diretoria após vazamentos de gás em SP
A Sabesp demitiu dois funcionários e suspendeu outros sete após um vazamento de gás na República, em 4 de junho, e anunciou a criação de uma Diretoria de Segurança Operacional. As medidas vêm na esteira de outro grave incidente no Jaguaré, reacendendo o debate sobre a segurança operacional da companhia no contexto de sua privatização em 2024.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) demitiu dois funcionários e suspendeu outros sete após a conclusão de uma apuração interna sobre o vazamento de gás no bairro da República, região central da capital paulista, ocorrido em 4 de junho. Diante dos incidentes recentes, a empresa anunciou a criação de uma Diretoria de Segurança Operacional e uma reestruturação interna, com o objetivo de reforçar seus protocolos de engenharia e fiscalização de obras.
A decisão da Sabesp, a maior companhia de saneamento do país, vem menos de um mês após uma explosão em uma obra da empresa no bairro do Jaguaré, zona oeste de São Paulo. O incidente resultou na morte de duas pessoas, deixou outras duas feridas e levou à interdição inicial de 46 casas. Moradores relataram forte cheiro de gás horas antes da tragédia, expondo fragilidades na gestão de riscos e na execução de intervenções em áreas urbanas.
O plano de ação da Sabesp estrutura-se em três pilares: revisão de procedimentos de engenharia e segurança, intensificação do monitoramento de todas as frentes de trabalho e ampliação do programa de treinamento, capacitação e certificação de seus colaboradores. A empresa promete triplicar o número de fiscais em campo, elevando-o de 200 para 600 profissionais, e ampliar o uso de tecnologia no acompanhamento das obras para mitigar riscos.
Além da nova diretoria de segurança, a reestruturação da Sabesp prevê a unificação das áreas de Engenharia e Operações, e a divisão da área de Clientes e Tecnologia em duas diretorias distintas. Essas mudanças, segundo a companhia, integram um programa de 'tolerância zero a incidentes nas obras', com o objetivo de minimizar os impactos das intervenções na rotina dos 375 municípios paulistas onde opera.
Os sindicatos do setor criticam duramente a Sabesp, apontando o processo de privatização da companhia, aprovado em 2024, como um fator-chave para o que classificam como 'desmonte técnico'. O Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp) repudiou o ocorrido no Jaguaré e cobrou apuração rigorosa e revisão de políticas de gestão que, segundo a entidade, colocam em risco a segurança dos trabalhadores e a integridade das operações.
O Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema), que atuou ativamente nas audiências públicas contra a venda da empresa, alertou para a perda de controle público e a redução de quadros desde o início do processo de privatização. A entidade já havia manifestado preocupação com o risco de aumento de acidentes devido à diminuição de equipes de manutenção e resposta rápida, cenário que os incidentes recentes parecem confirmar.
As medidas anunciadas pela Sabesp buscam restaurar a confiança pública e abordar as preocupações com a segurança operacional, especialmente no contexto da sua privatização. A intensificação da fiscalização e dos treinamentos pode, contudo, elevar os custos operacionais da empresa, um fator a ser considerado em futuras discussões sobre revisões tarifárias, embora o foco imediato seja a prevenção de novas ocorrências.
A implementação da nova Diretoria de Segurança Operacional e a expansão do quadro de fiscais constituem os próximos passos da Sabesp. Paralelamente, as investigações sobre as causas dos acidentes na República e no Jaguaré, conduzidas pela Polícia Científica e outros órgãos, prosseguem. Os sindicatos, por sua vez, devem manter a pressão por maior transparência e segurança no ambiente de trabalho, monitorando a efetividade das novas políticas da companhia.
O caso da Sabesp serve de alerta para outras empresas de infraestrutura em processo de desestatização. Ele reforça a complexidade da gestão de serviços essenciais, bem como a necessidade de um rigoroso controle de riscos. A busca por eficiência, impulsionada pelo Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020), não pode comprometer a segurança das operações e a qualidade do serviço prestado à população.
Fonte
Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de Agência Brasil. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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