Setor de Energia Manterá Liderança em Fusões e Aquisições no Brasil, Aponta UBS
O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) continuará a ter o setor de energia como seu principal motor nos próximos anos, impulsionado por grandes grupos internacionais e empresas nacionais. A expectativa, segundo análise do banco UBS, é de que a expansão das fontes renováveis e a busca por eficiência sigam ditando o ritmo das transações, que já representam uma fatia significativa do total de negócios no país.
O setor de energia no Brasil manterá sua liderança no mercado de fusões e aquisições (M&A) nos próximos anos, com o volume de transações impulsionado por grandes grupos internacionais e empresas nacionais. A avaliação é do banco suíço UBS, que aponta a continuidade de um movimento que já consolida a energia como o principal polo de negócios do tipo no país.
Este cenário de protagonismo não é recente. Desde o início dos anos 2000, o segmento elétrico e de combustíveis tem sido um terreno fértil para M&As, impulsionado por ondas de privatizações e, mais recentemente, pela expansão acelerada das fontes renováveis. A desverticalização de grandes companhias e a busca por ganhos de eficiência operacional também impulsionaram a compra e venda de ativos, com um notável reaquecimento após a capitalização da Eletrobras em 2022.
Dados corroboram a tendência: o setor de energia tem consistentemente liderado o volume de transações de M&A no Brasil, representando 20% a 25% do total de negócios nos últimos anos. Em 2023, o segmento de energia e utilities superou outros setores em volume de transações, com projetos de geração renovável em evidência, beneficiando-se de uma matriz elétrica que já possui mais de 85% de capacidade instalada de fontes limpas.
O mercado é movimentado por gigantes globais de energia e infraestrutura, como Engie, Enel e EDP, além de fundos de investimento com foco no longo prazo, a exemplo de Brookfield, Pátria Investimentos e Vinci Partners. No cenário nacional, empresas como Auren, Eneva e Equatorial buscam expandir suas operações e portfólios, consolidando posições em diferentes elos da cadeia de valor.
O arcabouço regulatório sustenta esse dinamismo. A Lei nº 14.182/2021, que viabilizou a capitalização da Eletrobras e a consequente venda de ativos de geração e transmissão, representou um marco. Além disso, a abertura gradual do mercado livre de energia, com a Resolução Normativa ANEEL nº 1.057/2023 que universalizou o acesso para consumidores de alta e média tensão a partir deste ano, cria um ambiente ainda mais favorável para novos investimentos e consolidação setorial.
O fluxo contínuo de M&As intensificará a competição e a busca por eficiência, com o potencial de beneficiar o consumidor final por meio de melhores serviços e tarifas mais competitivas, especialmente no mercado livre. Prevê-se um direcionamento ainda maior de capital para projetos de energia renovável, como solar e eólica, acelerando a transição energética e a descarbonização da matriz brasileira, e promovendo a especialização e otimização de portfólios pelas empresas.
A tendência no Brasil reflete um movimento global, onde a transição energética e a busca por ativos de baixo carbono impulsionam a consolidação e a entrada de novos *players*, como se observa na Europa e nos EUA. No cenário doméstico, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) atuam como órgãos cruciais na aprovação e fiscalização dessas transações, garantindo a conformidade regulatória e a concorrência.
Para os próximos anos, a agenda de M&A permanecerá aquecida, impulsionada pela possível privatização de outras empresas estaduais de energia e pela expansão do mercado livre para consumidores de baixa tensão, com previsão para 2026. Novas regulamentações para o mercado de hidrogênio verde e armazenamento de energia também abrirão novas frentes de investimento e aquisição, enquanto consultas públicas sobre a modernização do setor elétrico e leilões de transmissão e geração renovável serão eventos-chave para o setor.
Fonte
Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de CNN Brasil. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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