O SIN inaugura o primeiro SSSC do Brasil, otimizando capacidade e flexibilidade da transmissão
O Sistema Interligado Nacional (SIN) deu um passo importante na modernização de sua infraestrutura com a inauguração, em 9 de junho, do primeiro Static Synchronous Series Compensator (SSSC) do Brasil. Instalado em Ribeirão Preto (SP), o dispositivo otimiza o fluxo de potência e eleva a capacidade de transporte de energia, representando um avanço tecnológico crucial. A iniciativa, que teve a participação da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), confere maior flexibilidade e robustez ao sistema elétrico, especialmente para a integração de fontes renováveis e a transição energética.

O Sistema Interligado Nacional (SIN) recebeu um avanço tecnológico crucial com a inauguração, em 9 de junho, do primeiro Static Synchronous Series Compensator (SSSC) do Brasil, em Ribeirão Preto (SP). O dispositivo, que otimiza o fluxo de potência e aumenta a capacidade de transporte de energia, representa um marco para a infraestrutura de transmissão do país. O evento de inauguração contou com a presença de Thiago Dourado, Superintendente de Transmissão de Energia da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e promete maior eficiência, segurança e confiabilidade no fornecimento de energia.
A implantação do SSSC atende a uma demanda histórica do SIN. Devido às suas dimensões continentais e à crescente distância entre os grandes centros geradores e consumidores, o sistema sempre enfrentou desafios de estabilidade e capacidade de transmissão. A nova tecnologia permite o controle dinâmico do fluxo de potência nas linhas de transmissão, aprimorando soluções anteriores e preparando a rede para desafios futuros, como a integração de fontes renováveis intermitentes.
Entre os principais benefícios sistêmicos do SSSC, o aumento da capacidade de transporte de energia em corredores já existentes é notável, podendo chegar a 20-30% em linhas específicas. Isso evita a necessidade imediata de expansão física da rede, reduzindo custos e impactos ambientais. O dispositivo também aprimora a estabilidade eletromecânica do sistema e fortalece a segurança operativa diante de contingências, além de contribuir para a redução de perdas elétricas, que atualmente representam cerca de 10% da energia gerada no Brasil.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), por meio de seu planejamento de longo prazo, identifica as necessidades de expansão e modernização da rede, como as que o SSSC visa atender. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é o principal beneficiário direto da maior flexibilidade e segurança operativa proporcionadas pela tecnologia, sendo responsável pela operação e supervisão em tempo real do SIN. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) atua na aprovação dos projetos de transmissão e das tarifas, enquanto o Ministério de Minas e Energia (MME) define as políticas setoriais. A empresa transmissora responsável pela instalação do dispositivo em Ribeirão Preto foi a ISA CTEEP, que investiu na tecnologia como parte de seus projetos de modernização.
A busca por soluções para o controle dinâmico do fluxo de potência no SIN remonta a décadas, com a implementação de dispositivos como compensadores estáticos de reativos (SVCs) e capacitores em série controlados por tiristores (TCSC). O SSSC representa a evolução desses esforços, oferecendo um controle mais preciso e flexível. Ele é capaz de injetar tensão em série com a linha de transmissão e controlar ativamente sua impedância, superando o nível de controle dos dispositivos passivos ou menos dinâmicos.
Globalmente, dispositivos FACTS (Flexible AC Transmission Systems), incluindo o SSSC, são amplamente empregados em grandes sistemas de transmissão para otimizar o fluxo de potência e aprimorar a estabilidade. Países como Estados Unidos, China e Índia, que enfrentam desafios de rede semelhantes aos do Brasil, já utilizam essa tecnologia. A adoção do SSSC no Brasil alinha o país às práticas internacionais de modernização e eficiência em sistemas elétricos de grande porte.
A introdução do SSSC trará múltiplos impactos positivos para o setor elétrico. Espera-se uma menor pressão sobre a tarifa de transmissão, ao adiar ou evitar a construção de novas linhas em corredores congestionados. A maior confiabilidade e segurança no fornecimento de energia beneficiarão diretamente todos os consumidores, tanto do mercado livre quanto do cativo, e garantirão um suprimento mais estável para a indústria. Além disso, a tecnologia é estratégica para a transição energética, facilitando a integração de fontes renováveis intermitentes, como a eólica e a solar, que exigem maior flexibilidade e controle da rede.
Os próximos passos incluem o monitoramento contínuo da operação do SSSC pelo ONS, crucial para avaliar seu desempenho e benefícios práticos. Isso fornecerá dados valiosos para futuros estudos e planejamentos da EPE. Com base nessa experiência, é provável que a tecnologia SSSC e outros dispositivos FACTS sejam considerados em maior escala nos próximos leilões de transmissão e nos planos de expansão do sistema. A ANEEL poderá, inclusive, realizar consultas e audiências públicas para discutir a incorporação dessas tecnologias em novos projetos.
Fonte
Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de EPE. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
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