Supergasbras fecha 1º contrato de BioGL com Ortobras no país
A Supergasbras firmou o primeiro contrato de fornecimento de BioGL certificado pelo padrão ISCC PLUS no Brasil, com a Ortobras, fabricante gaúcha de soluções de acessibilidade. O acordo, selado em maio, marca a entrada comercial do combustível renovável no mercado nacional. A previsão é que o BioGL represente 5% do consumo anual de GLP da cliente já neste ano, alcançando 10% em 2027, impulsionando a descarbonização.
A Supergasbras, uma das maiores distribuidoras de GLP do país, assinou em maio seu primeiro contrato de fornecimento de BioGL certificado pelo padrão internacional ISCC PLUS. O acordo foi firmado com a Ortobras, empresa gaúcha especializada em soluções de acessibilidade e mobilidade, e representa um marco para o setor de biocombustíveis no Brasil, sinalizando o início da oferta comercial do gás renovável no mercado.
A Ortobras comprometeu-se a substituir 5% de seu consumo anual de GLP pelo BioGL já em 2026, com a participação subindo para 10% em 2027. A iniciativa integra a estratégia ESG da fabricante, que visa reduzir as emissões de dióxido de carbono associadas ao uso de combustíveis fósseis em suas operações, posicionando-a na vanguarda da transição energética industrial.
Para a Supergasbras, o contrato consolida sua posição pioneira. A empresa é a primeira distribuidora de GLP no Brasil a obter a certificação ISCC PLUS para a comercialização do BioGL, um padrão internacional que garante a rastreabilidade e a sustentabilidade de toda a cadeia de fornecimento. Priscila Maziero, gerente de Gás e Sustentabilidade da Supergasbras, afirma que a certificação assegura transparência e comprova a redução da pegada de carbono do produto, que possui as mesmas características físico-químicas do GLP convencional.
A estruturação da oferta de BioGL pela Supergasbras teve início no fim de 2024, exigindo adequações operacionais para atender aos rigorosos requisitos da certificação ISCC PLUS. A primeira importação do combustível renovável pela companhia ocorreu na primeira semana de abril de 2026, preparando o terreno para a assinatura do contrato com a Ortobras no mês seguinte.
O arcabouço regulatório para o BioGL foi pavimentado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que autorizou sua produção e comercialização, equiparando-o ao GLP convencional. Essa equiparação, respaldada pelas Resoluções ANP nº 852/2021 e nº 825/2020, permite o escoamento do BioGL em toda a cadeia de abastecimento sem exigir adaptações em equipamentos ou infraestrutura, facilitando sua integração no mercado.
A Refinaria de Petróleo Riograndense (RPR) desempenha um papel crucial nesse cenário, tendo obtido autorizações da ANP em janeiro de 2026 para produzir BioGL de forma contínua a partir de 100% de óleo vegetal, tornando-se a primeira biorrefinaria do Brasil. Essa capacidade de produção nacional é um diferencial para a escala e competitividade do BioGL no país.
No campo fiscal, a Reforma Tributária, regulamentada em janeiro de 2026, prevê alíquotas diferenciadas para biocombustíveis, entre 40% e 90% das aplicadas aos combustíveis fósseis, conforme o Artigo 175 do Projeto de Lei. Essa medida pode gerar importantes diferenciais de custo e preço, impulsionando a demanda e a competitividade do BioGL no mercado, ao lado de outros incentivos como o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR), que priorizará projetos de sustentabilidade com recursos anuais crescentes a partir de R$ 8 bilhões em 2029.
Contudo, o mercado de GLP ainda enfrenta desafios, como os subsídios cruzados que podem tornar o GLP fóssil artificialmente mais competitivo em setores industrial e comercial. O Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 114/2026 busca corrigir essa distorção ao propor a diferenciação dos preços do GLP por destinação final. A retirada gradual de subsídios a combustíveis pelo governo também pode impactar os preços e a competitividade do BioGL, caso não seja acompanhada de um arcabouço fiscal favorável que compense essa desvantagem.
A certificação ISCC PLUS, já utilizada em mercados globais de biocombustíveis, confere credibilidade ao BioGL brasileiro, alinhando-o às práticas internacionais e facilitando a entrada de empresas como a Supergasbras nesse segmento. A expectativa é que o mercado brasileiro de gases renováveis ganhe escala nos próximos anos, impulsionado pelas metas climáticas e pelos crescentes compromissos ESG das empresas, levando a Supergasbras a planejar a ampliação de sua carteira de clientes interessados em combustíveis com atributo ambiental.
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