Transição energética global deve desacelerar a partir de 2026, alerta WEF
A transição energética global enfrenta um arrefecimento projetado para 2026, conforme análise do Fórum Econômico Mundial (WEF). As elevadas taxas de juros e as tensões geopolíticas, especialmente entre EUA e China, emergem como os principais obstáculos. O cenário ameaça o ritmo de investimentos em energias limpas, que haviam alcançado um recorde de US$ 1,8 trilhão em 2023, e pode comprometer as metas climáticas globais de descarbonização.
A transição energética global já mostra sinais de desaceleração, com o Fórum Econômico Mundial (WEF) alertando para um arrefecimento que se consolidará em 2026. Segundo a entidade, as elevadas taxas de juros e as crescentes tensões geopolíticas são os principais entraves. O alerta, divulgado pela CNN Brasil, ressalta uma mudança no cenário que impulsionou o setor nos últimos anos, gerando incertezas sobre o cumprimento das metas de descarbonização.
Esse arrefecimento contrasta com o impulso significativo observado após o Acordo de Paris, em 2015, quando a queda dos custos de tecnologias como a solar e a eólica impulsionou um crescimento acelerado dos investimentos. A combinação atual de custo de capital mais elevado e fragmentação geopolítica representa um desafio que não era tão proeminente nos anos de maior expansão, ameaçando reverter parte desse progresso.
O investimento global em energias limpas atingiu um recorde de aproximadamente US$ 1,8 trilhão em 2023, superando os aportes em combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). No mesmo ano, a capacidade instalada de renováveis cresceu cerca de 50%, atingindo quase 510 GW. Contudo, a taxa de juros elevada aumenta o custo de financiamento desses projetos, que são intensivos em capital e possuem longos prazos de retorno, o que pode frear a expansão futura.
O WEF, que atua como catalisador para discussões globais, reúne líderes de governos, empresas e sociedade civil, e é a fonte da análise sobre a desaceleração. Governos como os dos Estados Unidos, com o Inflation Reduction Act (IRA), e da China, maior investidor em renováveis, são atores-chave, enquanto bancos centrais globais como o Federal Reserve (EUA) e o Banco Central Europeu impactam diretamente o custo de capital ao definirem as taxas de juros.
A base para a descarbonização global foi estabelecida pelo Acordo de Paris, em 2015, que definiu metas de redução de emissões e contribuições nacionalmente determinadas (NDCs). Políticas domésticas como o IRA dos EUA, que oferece subsídios massivos para tecnologias limpas, e o European Green Deal, que busca a neutralidade de carbono na União Europeia, agora se veem confrontadas com o desafio imposto pelo custo de capital elevado.
Historicamente, o setor de energia já foi impactado por crises financeiras e choques geopolíticos. A crise financeira de 2008, por exemplo, causou uma desaceleração temporária nos investimentos em renováveis. A situação atual se assemelha a um 'choque duplo', combinando um aumento do custo de capital em uma escala não vista desde a aceleração da transição com uma fragmentação geopolítica que dificulta a colaboração e o fluxo de tecnologias e investimentos.
A desaceleração da transição energética pode atrasar o cumprimento das metas climáticas globais, como a de limitar o aquecimento a 1,5°C, estabelecida pelo Acordo de Paris. Para os consumidores, o aumento do custo de capital pode se traduzir em tarifas de energia mais elevadas para projetos renováveis ou na manutenção da dependência de fontes fósseis, sujeitas à volatilidade geopolítica, o que impacta a segurança energética e a estabilidade econômica.
Além disso, a rivalidade entre EUA e China, que se manifesta em disputas comerciais e tecnológicas, cria barreiras à cooperação e à inovação em energias limpas, essenciais para uma transição eficiente. A China, embora seja líder na fabricação de equipamentos renováveis, também é o maior investidor em carvão, o que adiciona complexidade ao cenário global de emissões.
As próximas Conferências das Partes (COPs), como a COP29 no Azerbaijão, serão cruciais para reavaliar o progresso das metas climáticas e discutir mecanismos de financiamento e cooperação internacional diante desses desafios. A capacidade de reverter a atual tendência dependerá, em grande parte, da coordenação entre os países e da mitigação dos impactos financeiros e geopolíticos.
A efetividade das políticas de incentivo, como as dos EUA e da União Europeia, será testada pela persistência dos juros altos, o que exigirá adaptações nos modelos de financiamento e nos prazos de retorno dos investimentos. A capacidade de inovação e a resiliência das cadeias de suprimentos de tecnologias limpas também estarão sob escrutínio, em um ambiente de crescentes barreiras comerciais e geopolíticas.
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