EIA eleva projeção de produção global de petróleo e prevê queda de preços após acordo em Ormuz
A Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA) revisou para cima sua projeção de produção global de petróleo, prevendo uma recuperação significativa da oferta e uma queda nos preços do Brent para US$ 74/b no 3T26. A mudança, detalhada no relatório Short-Term Energy Outlook (STEO) de julho, reflete o memorando de entendimento assinado entre Estados Unidos e Irã para restabelecer o tráfego no estratégico Estreito de Ormuz.
A Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA) elevou sua previsão para a produção global de petróleo, conforme o relatório Short-Term Energy Outlook (STEO) divulgado em 7 de julho de 2026. A agência projeta que a oferta mundial e os fluxos comerciais de óleo bruto se restabelecerão a patamares próximos aos pré-conflito até o final do ano, com a maior parte da produção que estava paralisada retornando ao mercado no primeiro trimestre de 2027.
A base para essa revisão é o memorando de entendimento (MOU) firmado entre os Estados Unidos e o Irã em 18 de junho de 2026, visando à reabertura do Estreito de Ormuz. A expectativa é que a normalização do tráfego na via marítima, crucial para o transporte global de petróleo, alivie as pressões de oferta que marcaram os últimos meses de conflito na região.
Consequentemente, a EIA recalibrou suas projeções de preços. A agência prevê que o preço spot do petróleo Brent caia para uma média de US$ 74/b no terceiro trimestre de 2026, uma redução de US$ 27/b em relação à estimativa anterior. Para 2027, a previsão é de um preço médio ainda menor, de US$ 65/b.
Essa moderação nos preços deve se estender aos derivados e ao gás natural. Os preços médios de varejo da gasolina nos EUA, por exemplo, devem recuar para cerca de US$ 3,60/gal no segundo semestre de 2026. No mercado de gás natural, os preços do Henry Hub são esperados para US$ 3,70/MMBtu em 2026 e abaixo de US$ 3,50/MMBtu em 2027, sinalizando um ambiente de custos energéticos mais baixos.
Apesar das projeções da EIA, o mercado reagiu com cautela nos últimos dias. Veículos de imprensa reportaram, em 7 e 8 de julho, novos ataques a embarcações na região de Ormuz e ameaças de bloqueio por parte do Irã, impulsionando o preço do Brent, que hoje opera em US$ 78,53/b, acima da projeção da agência para o terceiro trimestre.
Além da recuperação global, a EIA reforçou a posição dos Estados Unidos como um player dominante. A produção de petróleo bruto do país deve crescer de 13,6 MMbpd em 2025 para uma média de 13,8 MMbpd em 2026 e atingir 14,0 MMbpd em 2027. As exportações de Gás Natural Liquefeito (GNL) dos EUA também devem aumentar significativamente, de 15 Bcfd em 2025 para 19 Bcfd até 2027, reforçando a oferta global de gás.
No cenário mais amplo, a agência também prevê que os estoques globais de petróleo cairão 2,2 milhões de b/d no 3T26, uma redução significativamente menor que a previsão anterior de mais de 7 milhões de b/d, indicando um reequilíbrio mais rápido entre oferta e demanda. A OPEP+ tem contribuído para o aumento da produção global, e a Arábia Saudita já reduziu seus preços oficiais de venda para clientes asiáticos, em uma clara mudança de estratégia para proteger sua participação de mercado.
A revisão da EIA ocorre após um período de meses de intensa tensão e conflito que culminou no bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, impactando severamente os preços e a logística do petróleo. O MOU de 18 de junho foi, portanto, um ponto de inflexão, trazendo a expectativa de um retorno à estabilidade e à previsibilidade para os mercados globais de energia.
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