IEA corta projeção de demanda e oferta de petróleo em 2026 com mercado mais apertado
A Agência Internacional de Energia (IEA) revisou para baixo as projeções de demanda e oferta global de petróleo para 2026, prevendo um déficit de 1,8 milhão de barris por dia no terceiro trimestre. O cenário, impulsionado pelo fechamento do Estreito de Ormuz e preços elevados, indica pressão altista contínua sobre o Brent e as margens de refino.
A Agência Internacional de Energia (IEA) revisou significativamente para baixo suas projeções de demanda e oferta global de petróleo para 2026, apontando para um mercado ainda mais apertado impulsionado pelo fechamento contínuo do Estreito de Ormuz e pelos preços elevados dos combustíveis. O relatório mensal de agosto, publicado nesta quarta-feira (12), estima uma contração anual da demanda global de 4,9 milhões de barris por dia (mb/d) no segundo trimestre de 2026 e uma redução de 1,6 mb/d na previsão para o ano.
A IEA cortou a projeção de demanda anual em 510 mil b/d em relação à estimativa de julho. A oferta global, por sua vez, deve cair 4,3 mb/d em média em 2026, atingindo 102 mb/d, uma queda mais acentuada que a previsão anterior de 3,7 mb/d. Como resultado, o balanço global de petróleo deve apresentar um déficit de 1,8 mb/d no terceiro trimestre de 2026, mais que o dobro da estimativa de 800 mil b/d do relatório anterior, o que aponta para uma escassez estrutural. Os estoques globais de petróleo observados caíram 69 milhões de barris em julho, ficando 410 milhões de barris abaixo dos níveis do início da guerra entre EUA e Irã em fevereiro.
As revisões são atribuídas principalmente ao fechamento do Estreito de Ormuz, ponto crítico para o escoamento de petróleo e GNL, e aos preços persistentemente altos dos combustíveis. A retomada das hostilidades e interrupções marítimas em julho, somada a ataques a refinarias russas, minou os esforços de recuperação da oferta. Esse cenário exerce forte pressão altista sobre o petróleo bruto: o Brent, negociado hoje a US$ 88,88 o barril, já estava em torno de US$ 92/bbl no momento da preparação do relatório, e as margens de refino continuam a subir, atingindo novos recordes na Europa.
As taxas de processamento de petróleo bruto nas refinarias permaneceram quase 5 mb/d abaixo dos níveis do ano anterior, em 80,9 mb/d, o que indica gargalos na produção de derivados. Nesse contexto, produtores de petróleo com rotas de escoamento seguras e refinarias integradas, como a Petrobras (PETR3), tendem a se beneficiar dos preços elevados do Brent e das margens de refino robustas. Em contrapartida, países importadores e consumidores finais arcam com custos de energia mais altos e maior risco de segurança de suprimento.
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