MME atualiza POTEE 2025 e prioriza expansão da transmissão para hidrogênio e data centers
O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou a 6ª Emissão do Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (POTEE) 2025, direcionando a expansão da rede para atender à crescente demanda de indústrias de hidrogênio de baixa emissão de carbono, eletrointensivas e data centers. A revisão, disponibilizada em 30 de junho, detalha projetos que incluem mais de 1.800 quilômetros de linhas de transmissão em 500 kV no Nordeste, além de reforços de pequeno porte já autorizados pela ANEEL.
O Ministério de Minas e Energia (MME) atualizou o Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (POTEE) 2025 com a 6ª Emissão, divulgada em 30 de junho, consolidando a estratégia de expansão da infraestrutura elétrica nacional. A revisão mantém o foco em projetos essenciais para a segurança e confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) e prioriza o atendimento a novas cargas de alto consumo, como indústrias de hidrogênio de baixa emissão de carbono, polos eletrointensivos e data centers.
Esta 6ª Emissão do POTEE 2025 incorpora e refina os projetos já previstos na 5ª Emissão, que delineava 31 novas obras de transmissão. O destaque da atualização está na robusta expansão no Nordeste, região estratégica para a transição energética. Entre os empreendimentos, incluem-se a construção da Subestação Pecém IV, no Ceará, e a implantação de mais de 1.800 quilômetros de linhas de transmissão em 500 kV, interligando os estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.
A infraestrutura planejada para o Nordeste é crucial para escoar a produção de energia renovável e, principalmente, para viabilizar a conexão de futuros empreendimentos de hidrogênio de baixa emissão de carbono, que demandam grande volume de energia. Além disso, a expansão visa suprir a necessidade energética de indústrias eletrointensivas e data centers, setores em forte crescimento que exigem alta disponibilidade e qualidade no fornecimento elétrico.
Outras regiões do país também receberão reforços significativos. No Pará, a expansão da transmissão é direcionada para atender às necessidades do setor mineral, enquanto na Região Metropolitana de São Paulo, a prioridade é a infraestrutura para suportar a crescente demanda de data centers, com investimentos concentrados em tecnologia e processamento de dados na capital paulista e arredores.
Paralelamente às grandes obras de expansão, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) já havia autorizado, em janeiro de 2026, a implementação de 687 reforços de pequeno porte previstos no POTEE 2025. Esses projetos representam um investimento de R$ 1 bilhão e serão executados por cerca de 50 empresas transmissoras, com o objetivo de aprimorar a infraestrutura existente e garantir a confiabilidade do SIN em diversas localidades, e complementam as obras de maior envergadura.
O POTEE, instrumento de planejamento do setor, é elaborado e atualizado pelo MME, com base em estudos técnicos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A ANEEL, por sua vez, é responsável pela autorização dos reforços e pela condução dos processos licitatórios para as novas concessões, que serão executadas pelas concessionárias de transmissão. Os grandes consumidores, como as indústrias de hidrogênio e os data centers, são os principais beneficiários diretos dessa expansão de capacidade de conexão.
Os empreendimentos de grande porte da 5ª Emissão do POTEE 2025, que servem de base para esta 6ª Emissão, têm um horizonte de entrada em operação projetado entre 2030 e 2032, dada a complexidade e o tempo necessários para o desenvolvimento de infraestruturas de transmissão de alta tensão. Já os 687 reforços de pequeno porte, que visam melhorias pontuais na rede, têm previsão de conclusão mais próxima, até o fim de 2029.
Embora cruciais para a segurança e a capacidade do sistema elétrico, os investimentos previstos no POTEE podem gerar impactos tarifários a longo prazo. Os custos de transmissão são repassados aos consumidores por meio das tarifas de uso dos sistemas de transmissão (TUST) e de distribuição (TUSD); assim, o consumidor final e, em especial, os industriais em alta tensão, arcarão com os custos dessa expansão, ainda que sem quantificações diretas para esta emissão específica.
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