MME exige planos de risco de agentes do setor elétrico para El Niño
O Ministério de Minas e Energia (MME) intensificou a cobrança por planos de ação e medidas preventivas de agentes de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, visando mitigar os impactos do El Niño. A ANEEL foi solicitada a monitorar essas ações, em um movimento que busca blindar o setor contra a volatilidade hidrológica e o potencial encarecimento das tarifas em 2027.
O Ministério de Minas e Energia (MME) intensificou a cobrança junto aos agentes do setor elétrico, exigindo a elaboração e aprimoramento de planos de ação e medidas preventivas para mitigar os riscos associados ao fenômeno El Niño. A demanda, formalizada por meio de ofício à ANEEL em 1º de junho de 2026, solicita que a agência monitore e incentive essas ações junto às empresas de geração, transmissão e distribuição, com discussões já pautadas em reuniões do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) em 1º de julho.
As orientações não se traduzem em novas regras normativas, mas representam um reforço da coordenação interinstitucional para a gestão de riscos, com o MME, a ANEEL e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) atuando em conjunto. O ONS, por sua vez, já prevê a otimização de hidrelétricas, incluindo a UHE Itaipu, e o uso complementar de usinas termelétricas para garantir o suprimento em cenários adversos, enquanto órgãos como Cemaden e INMET monitoram as condições climáticas.
O El Niño, já estabelecido e com intensificação esperada para o segundo semestre de 2026 e pico no fim do ano, projeta um cenário de incerteza hidrológica que pode pressionar o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) Spot. As projeções para o PLD no segundo semestre indicam uma alta amplitude, podendo variar entre R$ 75/MWh e R$ 590/MWh. Este potencial de elevação contrasta com o PLD médio do Sudeste/Centro-Oeste, que estava em R$ 196,97/MWh em meados de junho de 2026, e sinaliza um custo maior para o sistema, com reflexos nas tarifas ao consumidor final em 2027.
A necessidade de maior despacho termelétrico, com custo operacional mais elevado, em função da menor geração hidrelétrica e do aumento do consumo por calor, é o principal vetor para o encarecimento da energia. Embora o CMSE tenha assegurado o atendimento eletroenergético para 2026, com reservatórios em níveis elevados no início do período seco, a persistência do fenômeno até o início de 2027 mantém o alerta para a gestão de custos e a robustez do sistema, especialmente para as distribuidoras, que têm realizado investimentos significativos na resiliência de suas redes.
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