Primeiro navio porta-contêineres com etanol brasileiro parte de Santos para a Ásia
O CMA CGM Iron, primeiro navio porta-contêineres a operar com etanol produzido no Brasil, partiu do porto de Santos rumo à Ásia. A operação, viabilizada pela recente aprovação da IMO para o valor de intensidade de carbono do etanol de milho de segunda safra, abre um novo e vasto mercado de exportação para o biocombustível nacional, com potencial para reconfigurar a demanda e a alocação de capital no setor sucroenergético e de grãos.
O navio porta-contêineres CMA CGM Iron, o primeiro a operar com etanol produzido no Brasil, partiu do porto de Santos rumo à Ásia na madrugada de 14 de julho de 2026. A operação marca um teste inédito para a indústria brasileira de biocombustíveis e representa um passo significativo para a descarbonização do transporte marítimo global, conforme alinhamento com as metas da Organização Marítima Internacional (IMO).
O abastecimento da embarcação ocorreu em 12 de julho de 2026, com a Copersucar fornecendo 650 mil litros, equivalentes a 500 toneladas, de etanol anidro. A iniciativa é resultado de uma colaboração estratégica entre a armadora CMA CGM, a Copersucar como fornecedora do biocombustível, a AGEO Terminais responsável pela armazenagem, a Santos Brasil no terminal portuário e a Bunker One, que realizou o abastecimento.
O CMA CGM Iron é um navio tricombustível, adaptado para operar com metanol, etanol e combustível fóssil convencional, o que lhe confere flexibilidade operacional. Sua rota para a Ásia inclui escalas programadas no Sri Lanka e em Singapura antes de atingir seu destino final na China, demonstrando a viabilidade logística do uso do etanol em rotas transoceânicas.
A viabilidade do uso do etanol brasileiro como combustível marítimo foi impulsionada pela recente aprovação da IMO, em maio de 2026. A organização estabeleceu um valor padrão de 20,8 gramas de CO2 equivalente por megajoule para o etanol de milho de segunda safra brasileiro, um marco regulatório que abre um novo e vasto mercado de exportação para o biocombustível nacional.
Este desenvolvimento tem o potencial de reconfigurar a demanda e a alocação de capital nos setores sucroenergético e de grãos no Brasil, ao criar uma nova frente de exportação para o etanol. A operação pioneira posiciona o país como um ator chave na transição energética do transporte marítimo, oferecendo uma solução de baixa emissão para a frota global.
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