Biometano: potencial para substituir 60% do diesel em caminhões no Brasil
O biometano, produzido a partir de resíduos orgânicos, emerge como uma alternativa robusta ao diesel fóssil no Brasil, com potencial para suprir até 60% do consumo atual em caminhões. A aposta no biocombustível ganha força em meio à busca por descarbonização e à valorização de resíduos sólidos urbanos e agroindustriais.
O biometano, produzido a partir de resíduos orgânicos, surge como uma alternativa robusta ao diesel fóssil no Brasil, com potencial para substituir até 60% do consumo atual em caminhões. Essa projeção, destacada por executivos do setor, posiciona o biocombustível como um elemento estratégico para a transição energética e a diminuição da dependência de combustíveis fósseis no transporte pesado.
A importância do biometano é reforçada pelo alto consumo de diesel no país, que anualmente supera 60 bilhões de litros, com o transporte rodoviário como principal demandante. A produção desse gás renovável, a partir de aterros sanitários, esgoto, dejetos animais e resíduos agroindustriais, oferece uma solução de economia circular, convertendo passivos ambientais em energia de alto valor agregado.
Apesar do expressivo potencial de substituição, a capacidade instalada de produção de biometano no Brasil ainda é limitada, atualmente em cerca de 400 mil metros cúbicos por dia (m³/dia). No entanto, estudos da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que o país poderia atingir até 120 milhões de m³/dia, o que representaria mais de 40% do consumo total de diesel, abrangendo não apenas caminhões.
O arcabouço regulatório tem sido crucial para o desenvolvimento do setor. O biometano recebeu um impulso significativo com a implementação do RenovaBio (Lei 13.576/2017) em 2017, programa que estabeleceu metas de descarbonização e criou o mercado de Créditos de Descarbonização (CBIOs), incentivando a produção de biocombustíveis avançados. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) atua como principal órgão regulador, definindo especificações e regras de comercialização, consolidadas na Resolução ANP nº 909/2022.
Além do RenovaBio e das normas da ANP, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) também impulsiona indiretamente o biometano, ao exigir o tratamento e a destinação final ambientalmente adequados dos resíduos orgânicos. Esse cenário regulatório fomenta o surgimento de novos projetos, como as plantas da Cocal em Narandiba (SP) e da Gás Verde em Seropédica (RJ), que exemplificam a expansão da produção nacional.
A substituição do diesel por biometano resultaria em uma redução expressiva das emissões de gases de efeito estufa, contribuindo diretamente para as metas climáticas do Brasil e para a transição energética. No setor de transporte, a adoção em larga escala pode diminuir a dependência de combustíveis fósseis importados, fortalecendo a segurança energética nacional e a balança comercial. Para consumidores finais e frotas, a médio e longo prazo, essa mudança pode representar uma alternativa de combustível mais estável e potencialmente mais competitiva em preço.
Apesar do otimismo, o setor ainda enfrenta desafios significativos para concretizar plenamente seu potencial. A expansão da infraestrutura de abastecimento e a conversão de frotas de caminhões para o uso de gás natural veicular (GNV) ou biometano exigem investimentos substanciais e uma coordenação eficaz entre os diversos atores envolvidos. A experiência de países europeus como Suécia e Alemanha, que já possuem mercados consolidados, serve como referência, mas o Brasil necessita desenvolver soluções adaptadas à sua realidade logística e de coleta de resíduos.
Para impulsionar o crescimento, o setor aguarda o avanço das discussões sobre incentivos fiscais e linhas de financiamento específicas para projetos de biometano. O Ministério de Minas e Energia (MME) desempenha um papel crucial na formulação de políticas públicas que possam acelerar a adoção do biocombustível. Paralelamente, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) pode regulamentar o uso do biometano na geração de energia elétrica, abrindo um novo e promissor mercado para o gás renovável.
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