Sigma Lithium expande produção e enfrenta custos de energia mais altos no ACL
A Sigma Lithium aprovou a expansão de sua capacidade de produção de concentrado de óxido de lítio para 520 mil toneladas anuais. A decisão ocorre em um cenário de transformações regulatórias que elevam os custos de energia para grandes consumidores no Mercado Livre, impactando a viabilidade econômica da nova capacidade.
A Sigma Lithium, produtora de lítio para baterias, aprovou a expansão de sua capacidade anual de produção de concentrado de óxido de lítio para 520 mil toneladas, conforme comunicado pela empresa. A decisão, que ocorre após a reeleição de seu conselho de administração, se dá em um momento de significativas transformações regulatórias no setor elétrico brasileiro, que impõem um cenário de custos de energia mais elevados e complexos para grandes consumidores no Mercado Livre.
As mudanças são consolidadas pela Lei nº 15.269/2025, sancionada em novembro de 2025, que encerrou o benefício de 50% de desconto na Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) e na Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (TUST) para novos contratos de energia de fontes incentivadas e ampliações de demanda. Isso significa que a nova capacidade da Sigma Lithium não contará com os subsídios de rede que historicamente favoreciam projetos de energia renovável. Além disso, a partir de 2026, grandes consumidores do Ambiente de Contratação Livre (ACL) passarão a arcar com o novo encargo ECR e os custos das usinas nucleares Angra 1 e 2, antes restritos às distribuidoras do SIN, elevando o custo nivelado da energia para as operações futuras.
O impacto dessas mudanças é agravado pela atual crise de liquidez no Mercado Livre de Energia. Segundo levantamentos da Abraceel, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) médio registrou uma alta de 84% entre 2024 e 2026, enquanto contratos trimestrais no mesmo período apresentaram uma elevação de 121%. Esse cenário de preços voláteis e em ascensão dificulta a garantia de suprimento a custos previsíveis para a nova capacidade da Sigma Lithium, aumentando a incerteza sobre os custos operacionais de longo prazo e a exposição da empresa a flutuações de mercado.
Para o Radar Energia, a expansão da Sigma Lithium, embora estratégica para o fornecimento de minerais críticos, exigirá uma reavaliação profunda da estratégia de contratação de energia e da viabilidade econômica de projetos de autoprodução ou de aquisição de energia renovável para a nova planta. A ausência dos descontos de TUSD/TUST e a inclusão de novos encargos podem comprometer a competitividade do lítio brasileiro no mercado global, onde o custo da energia é um fator significativo na cadeia de valor.
Tags
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar.
Receba o essencial do setor de energia
Os principais fatos que afetam preço, regulação, geração e combustíveis — todo dia ao meio-dia, no seu e-mail.
Como esta matéria foi produzida: apurada a partir da fonte oficial citada e de documentos primários, com verificação de números, datas e prazos antes da publicação, seguindo a nossa Política Editorial — que inclui o uso de tecnologia própria na apuração. Viu algo a corrigir? Fale com a redação.