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Radar Energia
AnáliseBiocombustíveis

Rio Grande do Sul amplia produção de etanol com foco em trigo e triticale

O Rio Grande do Sul emerge como polo na produção de etanol a partir de cereais de inverno, como trigo e triticale, aproveitando a alta disponibilidade de matéria-prima para diversificar a matriz energética nacional. A iniciativa visa expandir a capacidade de biocombustíveis do país, historicamente concentrada na cana-de-açúcar, e agregar valor à cadeia agrícola regional.

26 de junho de 2026 às 19:01Fonte oficial: ClicrbsRedação Radar Energia

O Rio Grande do Sul se firma como um novo polo na produção de etanol no Brasil, impulsionando a fabricação do biocombustível a partir de cereais de inverno, como trigo e triticale. Essa estratégia aproveita a vasta oferta desses grãos no estado para diversificar a matriz energética nacional e reduzir a dependência da cana-de-açúcar, predominante no Centro-Sul do país.

Essa expansão é um avanço importante para a indústria de biocombustíveis, que busca novas rotas tecnológicas e matérias-primas para aumentar a oferta e a segurança energética. A produção de etanol de cereais no Sul do Brasil se alinha aos objetivos do RenovaBio, programa que incentiva a descarbonização e a inovação no setor, abrindo espaço para fontes alternativas com menor intensidade de carbono.

A alta disponibilidade de trigo no Rio Grande do Sul é um fator decisivo para esse avanço. O estado figura entre os maiores produtores nacionais do cereal, com safras que podem superar 3 milhões de toneladas, a depender das condições climáticas. Esse excedente de grãos, muitas vezes com menor valor agregado no mercado de alimentos, encontra na produção de etanol uma nova e rentável aplicação industrial.

Atualmente, a capacidade instalada para etanol de cereais no Brasil ainda é modesta, se comparada aos mais de 30 bilhões de litros anuais provenientes da cana-de-açúcar. Contudo, o potencial do trigo e do triticale no Sul, somado ao sucesso do etanol de milho no Centro-Oeste, sinaliza uma mudança estrutural na matriz de biocombustíveis. Novas unidades produtoras já estão em operação ou em planejamento por empresas como a Agrícola Horizonte e a BSBIOS na região.

A regulamentação do setor é conduzida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), responsável pela certificação e fiscalização da produção e comercialização. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) também tem um papel crucial na formulação de políticas agrícolas e de biocombustíveis, enquanto associações como a APLA e a UNICA representam os interesses do segmento, fomentando o diálogo e o desenvolvimento.

O arcabouço legal que impulsiona essa diversificação é a Lei nº 13.576/2017, que instituiu o RenovaBio. Essa legislação estabelece metas compulsórias anuais de descarbonização para os distribuidores de combustíveis, cumpridas por meio da aquisição de Créditos de Descarbonização (CBIOs), criando um forte incentivo econômico para a produção de biocombustíveis com menor pegada de carbono.

Os impactos dessa expansão são diversos. Economicamente, a produção de etanol de trigo pode gerar um efeito positivo substancial na região, agregando valor à cadeia de cereais de inverno, estimulando investimentos e criando empregos diretos e indiretos. Além disso, contribui diretamente para as metas de descarbonização do Brasil, oferecendo um biocombustível com potencial de baixa intensidade de carbono, especialmente em áreas onde a cana-de-açúcar não é viável.

A experiência internacional, com países como Estados Unidos e nações europeias utilizando milho e trigo como principais matérias-primas para seus programas de biocombustíveis, serve de referência. No Brasil, a rápida ascensão do etanol de milho no Centro-Oeste já demonstrou a viabilidade tecnológica e econômica de diversificar as fontes, aproveitando safras abundantes e a ociosidade de algumas usinas de cana.

Para os próximos anos, a expectativa é de continuidade dos investimentos em novas plantas de etanol de cereais no Rio Grande do Sul. O desenvolvimento de variedades de trigo mais adaptadas à produção de etanol e o aprimoramento dos processos industriais serão decisivos para otimizar a eficiência e a competitividade. A ANP, por sua vez, deve permanecer atenta à expansão do setor, com eventuais consultas públicas para ajustar regulamentos e certificar novas rotas tecnológicas.

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Como esta matéria foi produzida: conteúdo produzido com apoio de inteligência artificial a partir de fontes oficiais e/ou públicas, com curadoria editorial do Radar Energia. Sempre que possível, priorizamos documentos, comunicados e dados primários. Viu algo a corrigir? Fale com a redação.