Unicamp Lança Workshops para Inovar Biocombustíveis com Integração Pecuária-Agricultura
O Centro de Ciência para o Desenvolvimento do Etanol (CCD Etanol) da Unicamp inicia uma série de workshops para desenvolver novos modelos de produção de biocombustíveis em São Paulo. A iniciativa foca na integração entre pecuária e agricultura para otimizar o uso da terra, diversificar receitas e reduzir emissões. O primeiro encontro está agendado para 24 de junho de 2026, visando fortalecer a sustentabilidade do setor sucroenergético paulista.
O Centro de Ciência para o Desenvolvimento do Etanol (CCD Etanol) da Unicamp lançou uma série de workshops para investigar e propor novos modelos de produção de biocombustíveis no estado de São Paulo. A iniciativa visa ampliar a integração entre pecuária e agricultura e, simultaneamente, reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na cadeia produtiva. O primeiro encontro está agendado para 24 de junho de 2026.
A proposta do CCD Etanol reflete a evolução da agenda de pesquisa no setor, onde a Unicamp se destaca como um dos pilares no Brasil desde a criação do Proálcool nos anos 1970. Se antes o foco principal era a expansão da produção, o cenário atual exige maior eficiência, otimização de recursos e, fundamentalmente, a minimização dos impactos ambientais, alinhando-se às crescentes demandas por sustentabilidade.
Os workshops detalharão como a integração lavoura-pecuária (ILP) pode ser aplicada de forma inovadora à cadeia da cana-de-açúcar, a principal matéria-prima do etanol paulista. A iniciativa visa explorar sinergias que aumentem a produtividade por hectare, diversifiquem a receita dos produtores e contribuam para a recuperação de milhões de hectares de pastagens degradadas, eliminando a necessidade de abrir novas áreas para produção.
O CCD Etanol atua como promotor e articulador das pesquisas, enquanto o setor sucroenergético paulista, responsável por aproximadamente 50% da produção nacional de etanol, será o principal beneficiário das inovações. Produtores rurais e empresas de tecnologia agrícola são atores essenciais, visto que a adoção de novas práticas de integração depende de sua participação ativa no campo.
A iniciativa alinha-se diretamente com a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), instituída pela Lei nº 13.576/2017. O programa estabelece metas de descarbonização para a matriz de transportes e incentiva a produção de biocombustíveis com base em critérios de sustentabilidade, atribuindo notas de elegibilidade e créditos de descarbonização (CBios). Modelos de produção que reduzam emissões, como os que serão estudados, podem elevar a nota dos produtores e, consequentemente, o valor de seus CBios.
Os workshops prometem impactos diversos. Além da identificação de modelos de produção mais sustentáveis e eficientes, espera-se uma redução significativa das emissões de GEE na cadeia de biocombustíveis, melhorando a pegada de carbono do etanol. Atualmente, o etanol já contribui para a redução de cerca de 90% das emissões em comparação com a gasolina, e esse percentual pode ser aprimorado com as novas tecnologias de integração.
A otimização do uso da terra e o aumento da produtividade podem fortalecer a competitividade do etanol paulista no mercado, tanto em custo quanto em sustentabilidade, atraindo novos investimentos em tecnologias agrícolas e de bioenergia. Órgãos como a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o Ministério de Minas e Energia (MME) monitoram esses avanços, que podem influenciar futuras políticas regulatórias.
Embora modelos de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) já sejam estudados e aplicados em outras regiões do Brasil, como os desenvolvidos pela Embrapa, e em países como Austrália e Estados Unidos, a iniciativa da Unicamp busca adaptar e aprofundar esses conceitos especificamente para a cadeia de biocombustíveis em São Paulo. A integração da cana-de-açúcar com a pecuária representa um diferencial que pode servir de modelo para outros estados produtores.
Após o primeiro workshop em junho de 2026, o CCD Etanol e seus parceiros deverão consolidar os conhecimentos em relatórios técnicos e artigos científicos. A fase seguinte poderá incluir propostas de políticas públicas ou projetos-piloto para testar os novos modelos de produção, com a apresentação dos resultados em fóruns setoriais e consultas públicas, a fim de influenciar a agenda de pesquisa e desenvolvimento do setor nos próximos anos.
Fonte
Matéria produzida pela redação do Radar Energia com base em informações de Unicamp. Consulte o material original para validação técnica e jurídica.
Acessar fonte oficialTags